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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Agnes Grey por Anne Brontë.

"É bobagem desejar a beleza. Pessoas sensatas nunca a desejam para si mesmas, nem a desejam nos outros. Se a mente fosse bem cultivada e o coração bem disposto, ninguém se importaria com o exterior."

 
 
 

 

 

Outra leitura concluída, dessa vez, com a obra da mais nova das três irmãs Brontë (Emily e Charlotte): Anne.
 
Anne nasceu em Thornton, Inglaterra, em 17 de janeiro de 1820 e morreu de tuberculose aos 29 anos em 28 de maio de 1849. Usou também o pseudônimo masculino Acton Bell, assim como suas irmãs também utilizaram, para produzir suas obras literárias em um século aonde as mulheres não podiam escrever.
 
Esse é o primeiro livro de Anne que li, apesar de ser muito fã de Charlotte e Emily Brontë, a última a qual escreveu meu livro favorito que é "O Morro dos Ventos Uivantes".
 
A leitura correu de forma muito agradável, surpreendendo em alguns pontos no decorrer dos capítulos.
 
 
 
 
O livro é pequeno, de quase 200 páginas e a edição que li, não era intitulada "Agnes Grey", mas sim "A Preceptora", ´que é a mesma coisa. Porém "Agnes Grey" é seu título original. Foi escrito por volta de 1847 e foi o primeiro romance da autora, baseado em suas experiências pessoais como preceptora da época, escrito em primeira pessoa.
 
Essa narrativa conta a história de uma jovem menina que abandona o lar para se entregar a profissão de preceptora, tendo de viver em outra região longe da família para se dedicar totalmente a criação de filhos de pessoas da aristocracia inglesa, já que sua família não estava passando por uma situação financeira muito favorável. Ela desejava trabalhar em alguma coisa e ser útil em prover alguma ajuda a seus entes queridos.
 
Na primeira família em que foi trabalhar, ela relata grandes dificuldades de sua primeira experiência e em como sofreu tentando dar o melhor de si, sem nenhuma grande habilidade com crianças e com ensino, então por isso, sempre foi muito criticada na forma de trabalhar pelos familiares que a contrataram. Porém, nessas narrativas também podemos notar o erro dos pais na criação de suas crianças e uma crítica referente as convenções sociais da época.
 
 
 
 
 
 
Na história, Agnes apenas teve experiências profissionais em duas famílias, em que as crianças eram insuportáveis e com gênio muito forte. Há uma certa inocência de Agnes antes de sair de sua casa para o ofício de preceptora, pensando que tudo seria maravilhoso, porém esse pensamento é destruído pela ignorância mundana e ela se dá conta de como existem pessoas ruins no mundo. Há até uma passagem em que a mãe de Agnes diz sobre existir pessoas ruins e boas, indiferente de suas classes sociais. Em meio a esses acontecimentos, Agnes se apaixona por um pastor da cidade, o que dá um outro andamento a narrativa, tornando-a mais instigante.
 
É interessante ver a importância desses contos em que principalmente as irmãs Brontë, relatam as suas lutas diárias sociais e feministas dentro da sociedade inglesa do século XVIII. Ela criou pessoas reais com seus personagens, que passavam por lutas reais e duras dessa época, de uma forma magnífica. É um assunto que de início parece meio desinteressante, mas a forma de Anne escrever torna o fato relatado incrível, quase poético.
 
 
 

"Estou firmemente convencida de que não era assim. Sentia-me triste por ela. Admirava-me tanta vaidade e tanta falta de coração. Pasmava que tanta beleza tivesse sido dada a quem dela fazia tão mau uso, e, em compensação, fosse negada a outras que dela teriam auferido benefícios para elas e para os outros. Mas Deus sabe, concluí. Há, sem dúvida, homens vaidosos, sem coração como ela e mulheres como essa talvez sirvam para castigá-los."