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segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Original de Laura (Morrer é Divertido) - Vladimir Nabokov



Tendo o blog um dos nomes mais grandiosos da literatura mundial, não poderíamos deixar de publicar algo sobre ele, dessa vez não sendo "Lolita", mas uma obra póstuma e inacabada.


Este último livro de Vladimir Nabokov, um dos maiores escritores e autor do grande clássico "Lolita", vêm em seu último livro, deixar para grandes fãs um pequeno escrito inacabado de sua obra chamada: "O Original de Laura - Morrer é Divertido".

Na realidade, esses pequenos rascunhos foram publicados pelo seu filho Dmitri Nabokov, mesmo que seu pai antes de morrer tivesse proibido sua família de publicá-los sem o término da obra.

Nabokov escrevia em forma de fichas e no livro traduzido para o português, vemos de um lado da página os escritos com a letra, erros, rascunhos do próprio Nabokov, e na outra página a tradução ao pé da letra.



A história se trata de uma jovem chamada Laura de 24 anos, delicada, magra demais, uma forma de alter-ego de Lolita. Podemos notar na obra algumas semelhanças da obra "Lolita" na narrativa. Um exemplo disso é uma parte dos manuscritos que ele relata sobre um senhor com o nome quase igual do protagonista de "Lolita", Humbert-Humbert, que tenta se aproximar sensualmente da personagem que no momento tinha 13 anos.

Laura é casada com um grande médico que sofre de uma doença estomacal terrível, chamado Philip Wild. E por fim, podemos concluir que se trata de uma história dentro de uma história.

O livro retrata muito sobre a morte, sobre dor e sobre algumas vontades do próprio autor, quando ele relata em um trecho que gostaria de amputar os próprios pés. Fala muito também sobre a auto destruição, a aniquilação, mas também em como podemos nos reinventar apesar das dores, o que não foi possível com os personagens e nem mesmo com o autor.

Interessante também é ver o último escrito dele com as palavras: eliminar, suprimir, apagar, tachar, cancelar, anular, obliterar, desaparecer.

Talvez morrer não seja tão divertido.

Leitura do Livro "O Professor", de Charlotte Brontë.


Esse livro chegou as minhas mãos quase como mágica. Apesar de já ter conhecimento sobre as irmãs Brontë, me contentei em apenas conhecer o maravilhoso "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë, que por sinal, é um dos meus livros favoritos e que já li duas vezes.

Estava a procura de "Jane Eyre"na biblioteca, mas como estava com pressa, peguei correndo o único título que contava em sua estante, dedicada as irmãs Brontë.

O livro começa um tanto parado, com seu personagem principal William Crimsworth, um rapaz inglês e órfão. Ele trabalhava em um emprego que detestava, na empresa de seu irmão que ele também não sentia apreço algum, na cidade de Yorkshire. Durante essa parte do livro, a leitura não te prende muito, pois o personagem não é como um mocinho de livros "água com açúcar", o qual esperamos sempre. Mas, é ao mesmo tempo por esse motivo que ele vem se tornando interessante ao tempo que a leitura vai sendo feita. É um personagem de temperamento forte, frio e um tanto tímido, podemos dizer. E dessa característica que o protagonista principal tem, diferente do que estamos acostumados, que nos desperta curiosidade com o desenrolar da obra. Então, quando ele se muda para Bélgica para atuar como professor, inicialmente em uma escola de rapazes, e depois em uma escola apenas de meninas, a narrativa começa a se desenrolar.

As mulheres pelo qual o Sr Crismworth se apaixona ao longo da história, não são nenhum pouco convencionais. São mulheres fortes, interessantes e que tem uma postura diferente de uma mulher da época vitoriana. Posso dizer também que a leitura tem um ponto feminista, principalmente na segunda personagem, que se portou de uma forma muito forte e corajosa diante de alguns fatos da dura vida que passava.

A narrativa tem vários desenrolares e faz você pensar diante das atitudes corajosas dos personagens no decorrer de passagens da vida. Marcados por alguns de seus encontros diante de pessoas de má índole, como também o encontro de pessoas boas que podemos constar na amizade que o personagem tem com outro homem, que garante algumas risadas, através de suas conversas pouco amigáveis. Porém é este amigo que o ajuda com uma carta de recomendação para um emprego na Bélgica.

É uma leitura ótima, recomendo bastante para quem ainda não conhece as irmãs Brontë e também para o conhecimento da história da mulher vitoriana e da visão de Charlotte diante de alguns aspectos femininos da época.