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sábado, 15 de agosto de 2015

O Olho por Vladimir Nabokov.



Nos últimos meses, meu fascínio pelos livros de Vladimir Nabokov cresceram gradualmente, ainda mais depois de minha leitura de "Riso no Escuro"(tem resenha dele aqui). Com certeza, esse grande autor faz parte da lista de meus escritores prediletos. Então, aviso aos leitores que teremos ainda muitas resenhas dele daqui pra frente. E com isso, espero encontrar narrativas de Nabokov ainda mais extraordinárias para quem sabe, despertar em vocês uma ponta de curiosidade em ler também os livros desse literato tão admirável.

Enfim, vamos falar de "O Olho".

O texto foi composto em 1930 originalmente em russo. Logo após este livro foi publicado em 1965, com a tradução para o inglês feita pelo próprio Nabokov e seu filho Dmitri. Inicialmente ele foi divulgado em três capítulos na Playboy de 1965.

Playboy em que foi publicado os três capítulos de "O Olho".

A história se passa na época entre 1924-1925, com expatriados russos em Berlim. Conhecemos então seu personagem principal, o jovem Smurov, que trabalhava como tutor de dois meninos de uma família russa. Ele se envolve com Matilda, uma mulher casada e não muito tempo depois, seu marido descobre e vai atrás do jovem, tirar satisfações e o humilha a base de bengaladas, uma cena bastante cômica. Diante dessa situação, Smurov decide cometer suícidio. 

Neste ponto a história tem uma transformação. Não sabe se ao certo ele conseguiu êxito em seu plano, ou se falha e tenta outra forma de vida, mudando sua personalidade e sua história diante dos laços que mantinha e acabando por se observar à frente de tais fatos, como um espectador. Quem sabe tentando esquecer a humilhação que passara, ou realmente analisando episódios que vivenciou enquanto estava vivo, tirando suas próprias conclusões.

Por fim, percebemos ao longo da narrativa que seguimos cada passo de Smurov para tentar entender a intenção do personagem ou para descobrir um feito escondido que se revele em algum deslize do protagonista.

O livro contém 107 páginas, da editora Objetiva. É uma leitura rápida, fácil, mas ao mesmo tempo confusa, principalmente após o suposto suicídio de Smurov. Talvez a conclusão da história tenha uma interpretação individual de leitor para leitor e a minha ficou descrita logo acima. 
Se você leu ou vai ler "O Olho", venha aqui depois e comente qual foi sua interpretação da história! Irei gostar muito de saber a opinião de outros leitores. 



domingo, 2 de agosto de 2015

O Criador do Existencialismo em Notas do Subterrâneo de Fiódor Dostoiévski.



Esse é o primeiro título de Fiódor Dostoiévski que resolvi ler, pois era um livro relativamente pequeno e com uma descrição bastante interessante. Dostoiévski é um escritor russo (1821-1881), considerado um dos criadores do existencialismo justamente por esse livro "Notas do Subterrâneo", um dos assim chamados romances de ideias. Ele também é o autor do famoso "Crime e Castigo", que é um dos títulos que ainda está na minha lista de leituras que gostaria de fazer.

O livro "Notas do Subterrâneo" é uma história razoavelmente curta, dependendo da edição, contendo menos de 150 páginas. É dividido em duas partes; O Subterrâneo e sua segunda parte em A Propósito da Neve Molhada. Apesar de ser uma narrativa pequena, é necessário grande concentração da parte do leitor, por ser bastante filosófico e por obter pensamentos de difícil compreensão e interpretação.

A primeira parte do livro, "O Subterrâneo", Dostoiévski nos explica em uma nota de rodapé, que os descritos seguintes feitos pelo seu personagem são fictícios e nos atenta que pessoas como esse narrador de fato existem em nossa sociedade. Logo após o relator da história se apresenta e também às suas ideias, explicando o porquê e a causa de aparecer em nossa sociedade. Nesta pequena introdução, há frases bastante complexas e existencialistas. Ideias reflexivas e que não deixam de ser verdades até nos dias atuais perante aos comportamentos da sociedade, o que me causa bastante impacto, pois a obra foi publicada em 1864. É um tipo de solilóquio, no qual ele tenta se explicar e se auto depreciar diante de seu leitor querendo causar um tipo de pena, dizendo que é uma pessoa má, mas que por algumas vezes pode ser considerado um homem bom. Por fim, ele decide que o melhor é não fazer nada à respeito dessa visão de se tornar um homem respeitável. Uma frase muito interessante e impactante que li e resolvi até marcar é a seguinte: "Foi dito que o homem se vinga porque vê nisso justiça (...), se tento vingar-me é por pura maldade".

O narrador, bastante amargo, isolado e que não possui nome, pois ele não o diz no livro inteiro, é um homem que mantém um ódio pelo mundo e pelas pessoas. Ao mesmo tempo que os despreza procura avidamente pela atenção de seus semelhantes, beirando sempre à humilhação e a auto depreciação, junto de seus delírios e explosões de ódio. 

Na segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", ele relata alguns acontecimentos de sua vida, ao qual é percebido o quanto esse personagem é ruim e desprezível, porém ao mesmo tempo o quanto ele sente gosto por agir de forma totalmente fora de propósito. Há uma reflexão bastante intima do narrador, um perfeito fluxo de consciência em seu grande final. 

O livro, por fim, leva a reflexão diante de várias questões da condição humana e seus sentimentos, como a vingança e a maldade. O homem do subsolo pode ser representado pelo homem moderno, solitário, que busca por sua felicidade, mas acaba indo às ruínas por conta das cobranças de uma sociedade idiota. 

É uma leitura complicada, principalmente para iniciantes, porém faz com que se desperte muitas verdades sobre o ser humano, que se mantém inquietas no íntimo de muitas pessoas.