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domingo, 2 de agosto de 2015

O Criador do Existencialismo em Notas do Subterrâneo de Fiódor Dostoiévski.



Esse é o primeiro título de Fiódor Dostoiévski que resolvi ler, pois era um livro relativamente pequeno e com uma descrição bastante interessante. Dostoiévski é um escritor russo (1821-1881), considerado um dos criadores do existencialismo justamente por esse livro "Notas do Subterrâneo", um dos assim chamados romances de ideias. Ele também é o autor do famoso "Crime e Castigo", que é um dos títulos que ainda está na minha lista de leituras que gostaria de fazer.

O livro "Notas do Subterrâneo" é uma história razoavelmente curta, dependendo da edição, contendo menos de 150 páginas. É dividido em duas partes; O Subterrâneo e sua segunda parte em A Propósito da Neve Molhada. Apesar de ser uma narrativa pequena, é necessário grande concentração da parte do leitor, por ser bastante filosófico e por obter pensamentos de difícil compreensão e interpretação.

A primeira parte do livro, "O Subterrâneo", Dostoiévski nos explica em uma nota de rodapé, que os descritos seguintes feitos pelo seu personagem são fictícios e nos atenta que pessoas como esse narrador de fato existem em nossa sociedade. Logo após o relator da história se apresenta e também às suas ideias, explicando o porquê e a causa de aparecer em nossa sociedade. Nesta pequena introdução, há frases bastante complexas e existencialistas. Ideias reflexivas e que não deixam de ser verdades até nos dias atuais perante aos comportamentos da sociedade, o que me causa bastante impacto, pois a obra foi publicada em 1864. É um tipo de solilóquio, no qual ele tenta se explicar e se auto depreciar diante de seu leitor querendo causar um tipo de pena, dizendo que é uma pessoa má, mas que por algumas vezes pode ser considerado um homem bom. Por fim, ele decide que o melhor é não fazer nada à respeito dessa visão de se tornar um homem respeitável. Uma frase muito interessante e impactante que li e resolvi até marcar é a seguinte: "Foi dito que o homem se vinga porque vê nisso justiça (...), se tento vingar-me é por pura maldade".

O narrador, bastante amargo, isolado e que não possui nome, pois ele não o diz no livro inteiro, é um homem que mantém um ódio pelo mundo e pelas pessoas. Ao mesmo tempo que os despreza procura avidamente pela atenção de seus semelhantes, beirando sempre à humilhação e a auto depreciação, junto de seus delírios e explosões de ódio. 

Na segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", ele relata alguns acontecimentos de sua vida, ao qual é percebido o quanto esse personagem é ruim e desprezível, porém ao mesmo tempo o quanto ele sente gosto por agir de forma totalmente fora de propósito. Há uma reflexão bastante intima do narrador, um perfeito fluxo de consciência em seu grande final. 

O livro, por fim, leva a reflexão diante de várias questões da condição humana e seus sentimentos, como a vingança e a maldade. O homem do subsolo pode ser representado pelo homem moderno, solitário, que busca por sua felicidade, mas acaba indo às ruínas por conta das cobranças de uma sociedade idiota. 

É uma leitura complicada, principalmente para iniciantes, porém faz com que se desperte muitas verdades sobre o ser humano, que se mantém inquietas no íntimo de muitas pessoas.



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