"Claro, não faz sentido ficar brava. É improdutivo. Eles ainda não entendem. Que estão esperando por aquele telefonema que mudará tudo. Que cada um vai acabar se sentindo como eu. Porque alguém que eles amam vai morrer. É uma das certezas mais cruéis da vida."
O livro "O Último Adeus" da escritora Cynthia Hand foi lançado nesse ano aqui no Brasil (2016), pela Darkside Books (minha editora favorita) dentro da linha Darklove. O livro tem um design muito bonito e vem com um post-it amarelo na capa. Toda a temática dele é como se fosse escrito a caneta, como em um diário. Como sempre, a Darkside caprichando no visual dos livros. Como eu amo essa editora.
A narrativa não é complicada de ler, isto é, a leitura flui facilmente (fiz a leitura em três dias), porém tem alguns erros de escrita no livro. Ele possui 352 páginas e seu título original em inglês é "The Last Time We Say Goodbye".
A história é narrada por Alexis, ou Lex, que é seu apelido, como se fosse um grande diário. Na verdade, o diário foi uma ideia de seu terapeuta, para que funcionasse como uma válvula de escape, já que ela se negava a tomar antidepressivos. Ela perdeu seu irmão há pouco tempo que cometeu suicídio na garagem de casa e apenas deixou um bilhete em um post-it amarelo dizendo: "Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio".
Lex narra seus sentimentos durante o momento de perda e conta sobre o que acontecia em sua infância, lembrando de passagens de sua vida junto com seu irmão Tyler. Ty, como ela o chamava, era mais novo que ela e antes de cometer o suicídio, já havia tentado uma outra vez, sem sucesso. Aparentemente, era um garoto normal na visão da irmã e da família.
A mãe tinha se separado do pai há alguns anos e após o falecimento do filho, acaba por começar a beber sempre e tomar remédios para dormir para escapar da dor. Lex começou a ver o irmão pela casa como um fantasma e a sentir que ele queria que ela fizesse algo para ele ficar em paz, apesar de não acreditar em coisas espirituais. Lex gostava muito de matemática e ciência; era uma garota muito inteligente, então o que não fosse provado pela ciência, ela não acreditava.
O livro tem uma temática pesada, pois há todo momento eu pensava na minha família e se isso acontecesse comigo. Há todo momento eu me pegava pensando que desmoronaria se estivesse no lugar da personagem e por vezes consegui ter uma noção da dor que ela sentia. Só o fato de ela ter continuado indo à escola e se mostrado forte para conseguir estudar e ter notas boas para a faculdade, torna-a uma personagem muito valente, apesar da situação difícil do momento. Ela mesma descreve que se arrastava para fazer atividades normais do dia-a-dia. No lugar dela, eu não teria ânimo para continuar.
Ela carrega uma grande culpa dentro de si pela morte do irmão e culpa também seus familiares e a ex-namorada de Ty, por não perceberem que ele não estava bem e ficarem atentos com ele, afinal ele já tinha tentado se matar uma vez. Ela não se perdoava por no dia do suicídio não ter respondido a mensagem do irmão, pois estava com o namorado.
É um livro emocionante, doloroso, mas nos mostra uma grande história de amor e a tentativa de superação diante de fatos que não esperamos, que machucam e partem nossos corações. A dor da morte de um ente querido é horrível, mas de um suicídio deve ser muito pior, pois nos sentimos impotentes por ver que não ajudamos e que não estávamos lá pela pessoa quando ela mais precisou.
É interessante a abordagem do tema, porque no nosso cotidiano não vemos muitas notícias sobre suicídio, até porque isso não pode ser divulgado. O Brasil é o 8º país com maior número de suicídios (OMS, 2012) e a taxa de mortalidade só vem aumentando todos os anos. A cada 40 segundos uma pessoa se mata e só 28 países tem planos de prevenção contra isso. Geralmente, mais homens cometem suicídio e as causas se diferem entre países desenvolvidos e países sub-desenvolvidos. Nos países desenvolvidos a causa é quase sempre por distúrbios mentais, como o alcoolismo e a depressão; e nos países mais pobres a causa envolve problemas socioeconômicos. Pode também existir a possibilidade de suicídios por problemas com violência, abuso e traumas sofridos. Aqui no brasil, localizei o site http://www.abeps.org.br/ que é a Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, sem fins lucrativos. Para quem tiver interesse mais sobre o assunto, é interessante dar uma conferida nesse site.
O assunto ainda é um tabu, mas tem que ser discutido e mostrado.
Sugiro o livro para a leitura para quem sofre com problemas de depressão ou que sofreu com a morte de algum ente querido dessa forma.
PS: O livro possui uma trilha sonora no Spotify para quem quiser conferir. :)
"O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente."




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