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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Masoquismo em “A Vênus das Peles” de Sacher Masoch




O livro em questão foi escrito por Leopold Von Sacher-Masoch em 1870 e retrata a história de Severin e Wanda, onde eles se apaixonam após uma discussão sobre relacionamentos.

Uma curiosidade deste livro é que o termo “masoquismo” surgiu do nome do escritor, usado primeiramente pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing e depois popularizado por Freud e a história foi baseada em fatos que fizeram parte da vida de Masoch com uma mulher chamada Fanny von Pistor, sua amante.





Severin demonstra ao longo da narrativa que sempre sentiu certo prazer ao ser açoitado ou ao ser tratado mal por alguma mulher. É um rapaz solitário e sonhador, que idealiza encontrar uma deusa, uma déspota, uma mulher cruel e Wanda é uma mulher inteligente, doce no início e defende um amor sem culpa:


De um outro modo não renascerei tal como sou. Porque então renunciar a todas as minhas vontades por causa dessas ideias? Pertencer a um homem a quem não amo pela razão de que o amei alguma vez? No, não renunciarei; amo a quem me agrada e torno-o ditoso. A caso é isto repugnante? Não; pelo menos é muito mais formoso do que se me regozijasse do tormento cruel que provocam os meus encantos, e me desviasse, virtuosa, do desgraçado que se consome por mim. Sou jovem, rica e bela, e vivo somente para o gozo e o prazer.






O que chama a atenção é que esse prazer em ser humilhado se torna um contrato entre ele e Wanda; Severin deposita totalmente sua vida nas mãos da mulher, tornando-se seu escravo em todos os sentidos e apenas seria liberado de sua servidão quando Wanda assim decidisse.

A história é curta, trata-se de um relato bastante filosófico que talvez não aborde apenas o masoquismo em si, mas também a relação entre homem e mulher. Nota-se também que além de ele se tornar escravo de sua senhora, o personagem se deprecia tanto chegando ao ponto de fazer com que o amor dela acabe, pois ele não possui uma característica de um parceiro de verdade que Wanda parecia procurar. Severin, a todo momento diz amar sua senhora, entrega-lhe sua vida, quase suicida-se por sua deusa e com isso, consegue se diminuir como pessoa, apenas conquistando, por fim, o desdém da amada. Quanto mais ele demonstrava estar aos seus pés, mais ela começava a desprezá-lo. Logo depois encontrou um homem totalmente ao contrário da personalidade de Severin e talvez, o que ela realmente procurava para si como um ideal próprio. Por fim, percebe-se que ele transformou Wanda em uma pessoa cruel e se destinou à autodestruição em que terminou.

Além da questão da patologia que é bem explicita, verifica-se a diferença entre a relação de poder numa relação entre homem e mulher e uma frase muito significativa do fim da obra deixa isso bem claro:

A moral é que a mulher, tal como a natureza a criou e como o homem atualmente a educa, é sua inimiga, podendo tão-somente ser sua escrava ou sua déspota jamais sua companheira. Isto, só quando ela tiver os mesmos direitos que ele, só quando por nascimento, pela formação e pelo trabalho, for igual a ele.




Não se pode dizer que é uma história erótica, com cenas quentes e excitantes, mas contém bastante elementos fetichistas. Também não pode se dizer que é uma história de amor, vendo que por um lado o sentimento dele parece totalmente desenfreado, louco, mas não pode-se julgar a forma como ele ama, como ele se sente bem ou como sente prazer. Sente-se pena dele em alguns momentos, pois era uma forma de amar muito diferente do aceito e do adaptável para uma pessoa com pensamentos e visões diferentes. Conclui-se que Wanda acaba se tornando cruel de verdade e o machuca ao extremo, sem dó ou compaixão, por realmente não sentir amor de verdade e não conseguir se encaixar na forma de amar de Severin. Isso pode se dar ao fato de que ele se colocava em uma situação de humilhação completa, podendo vir a deixar Wanda cansada ou destruir seu interesse por ele agindo da maneira que agia.

O livro é pequeno e bastante filosófico, como já mencionado e é de extrema importância para a história mundial, pois foi uma das primeiras obras a relatar de um assunto que ninguém comentava na época e deu base para estudos envolvendo comportamentos masoquistas.

“Só se pode verdadeiramente amar o que está acima de nós, o que nos oprime pela beleza, pelo temperamento, pelo espírito, pela força de vontade, e se torna nossa déspota”.





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