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sábado, 18 de julho de 2015

A Crueldade em Riso no Escuro de Vladimir Nabokov


Não poderíamos deixar de publicar mais uma resenha de um livro desse grande escritor que deu nome ao meu blog: Vladimir Nabokov!

Riso no Escuro é outro romance surpreendente desse maravilhoso escritor. Um dos livros que me achou na biblioteca, escondidinho e que me chamou muito discretamente com seu título espetaculoso.

Essa formidável narrativa foi publicada por volta de 1932 e 1938, pois em 1932 ela era serializada em uma revista; em 1936 foi traduzida por outra pessoa de uma forma que deixou Nabokov descontente e então em 1938 ele publicou sua própria tradução. 

O livro é composto por 201 páginas pela editora Companhia das Letras. Minha leitura foi terminada em apenas dois dias, pois a história tem uma tamanha capacidade de prender o leitor até o fim e um enredo impactante e cruel.

O primeiro capítulo é bastante direto e descreve a narrativa: "Era uma vez um homem que se chamava Albinus e vivia em Berlim. Era rico, respeitável e feliz; certo dia abandonou a mulher por causa de uma jovem amante; amou, não foi amado; e sua vida acabou em desastre". 

A amante em questão é Margot, uma Lolita um pouco mais velha, com seus dezoito anos, bastante sensual e frívola. Ela dominou a vida de Albinus que era casado, tinha uma filha de oito anos e uma boa carreira como crítico de arte. Analisando bem a narrativa, é percebido que ela destruiu o casamento de Albinus propositalmente ao enviar uma carta para a residência dele, e ele não conseguir interceptar o recebimento desta a tempo. Desde o ínicio a intenção de Margot nunca fora das melhores. Ela apenas se interessava pelo dinheiro que ele tinha e por sua ambição em um dia se tornar atriz. E Albinus jamais desconfiou de sua pequena beldade e seu outro amante Rex que no passado já havia vivido um romance com a bela moça. Rex junto de Margot, criam as maiores maldades contra Albinus: são dois personagens  maldosos, impiedosos e egoístas.

O significado do título Riso no Escuro só será revelado a uma certa altura dos fatos o que torna a leitura ainda mais intrigante. É cruel, triste, mas uma realidade vivida por muitas pessoas. 

O livro contém quebras de expectativas que é um ponto forte nas leituras que faço e é muito realista quanto a histórias que envolvem traição, crueldade e o ponto que um homem  chega ao ser tomado pelo desejo; como um homem pode se cegar diante de mulheres que sabem como dominar. Descreve muito bem a mente de uma pessoa envolvida pela cobiça e a libido e como isso pode se tornar uma ingenuidade da parte de quem está cativado por um amor não correspondido.

Recomendo muito a leitura deste livro, tanto pela história quanto pela forma que o autor descreve os fatos, mostrando as fraquezas mais íntimas e obscuras do ser humano.


O Teorema Katherine de John Green




Depois de muito tempo e muita curiosidade, finalmente encontrei na biblioteca de minha cidade um título do escritor John Green que ultimamente vem sendo muito comentado e que publicou alguns títulos que viraram filme, como "A Culpa é das Estrelas". Não assisti nenhum de seus filmes e Teorema Katherine foi o primeiro título de Green que li.

John Michael Green é um escritor norte-americano, nascido no dia 24 de agosto de 1977, na cidade de Indianápolis. Ele é querido pelo mundo todo (principalmente pelos adolescentes) por seus best sellers: Quem é Você, Alaska? e Cidades de Papel.

O Teorema Katherine é um livro envolvendo matemática. Mas não precisa se assustar. Não é nada tão mirabolante, difícil de entender e muito menos entediante.

Colin, o personagem principal desta narrativa é um prodígio desde pequeno e muito bom na criação de anagramas. É do tipo nerd, que vive em na companhia de uma ótima família. Namorou 19 Katherines em toda sua adolescência e absolutamente todas terminaram com ele. Após a sua atual Katherine terminar o relacionamento com Colin e ele passar por um período de sofrimento, seu melhor amigo Hassan o apoia e juntos eles colocam o pé na estrada. Nessa viagem de amigos, Colin tenta esquecer o ocorrido e assim começa com a formação de seu teorema na cidade em que fizeram sua parada e conheceram novas pessoas. Ele cria fórmulas matemáticas para tentar entender o porquê de todas as Katherines terem terminado o namoro com ele e para talvez prever o tempo que um relacionamento poderia vir à durar.

O livro é de fácil leitura, sem muitas complicações e sem quebras de expectativas, mais recomendado para o entretenimento adolescente. O lado bacana da história de John Green é a forma como é apresentado o ponto de vista de quem sofre, a parte mais realista dos desapontamentos de um término de namoro, como por exemplo, quando a pessoa passa o decorrer dos dias olhando o telefone esperando por uma ligação perdida ou apenas uma mensagem. Todos já passamos por esse tipo de tristeza e é interessante essa veracidade que o livro passa aos leitores. Expõe também que nem tudo é perfeito em nossas vidas, mas nem todo sofrimento dura para sempre.

Algumas passagens do livro me fizeram pensar e me remeteram a tempos de minha adolescência, mas deixo claro que não é o tipo de história de que gosto. Porque às vezes na vida cotidiana a qual estamos acostumados, não é sempre que certos acontecimentos terminam de forma boa, como os livros best sellers apresentam. Teorema Katherine oscila entre o real e o sonho de um final feliz. 




O livro foi publicado em 2006, com quase 300 páginas pela editora Íntrinseca.

domingo, 5 de julho de 2015

Percy Jackson e o Último Olimpiano de Rick Riordan



O quinto e último livro da primeira temporada da séria Percy Jackson, de Rick Rordan inicia-se com uma batalha entre Percy, cães infernais e outros seres mitológicos, acompanhada de uma incrível explosão do Princesa Andrômeda, porém ele venceu apenas uma das batalhas.

Os meios-sangues passaram um ano inteiro preparando-se para a batalha contra os titãs, enquanto os deuses ocuparam-se com o monstro Tição que já se aproximava de Manhattan. A batalha pode não apenas destruir os deuses, mas acabar com a civilização, caso os deuses e semi deuses sejam devotados pelo exército de Cronos. E isso obriga Percy a fazer uma visita rápida ao Rio Estige.

Morfeu, o deus dos sonhos, põe para dormir milhões de habitantes em Manhattan e isso dá início a inesquecível batalha entre titãs, deuses e semi deuses. Percy conta com a ajuda dos famosos Ponêis de Festa, entre eles o centauro mais divertido, Larry. Percy ainda tem de lutar com criaturas mitológicas que retornaram do Tártaro depois de milênios, como a porca gigante voadora Camoniana.

Além destas, outras batalhas são travadas e Percy teme a sua própria morte, já que a profecia dizia que seu décimo sexto aniversário significaria a sua morte.

Rick Riordan faz a incrível narração do heroi Percy jackson, um último desfecho da série que já vendeu milhões de cópias e já conquistou uma legião de fãs por todo o mundo.

Um último livro para fãs de mitologia grega que já acompanham a série desde o início. Batalhas incríveis que prendem o leitor até o final da trama.

Os Novos Bruxos de Half Bad de Sally Green.



Half Bad é o primeiro romance da escritora Sally Green que começou a escrever em 2010 e publicou seu primeiro livro em 2014.

A histõria se passa na Inglaterra, aonde os bruxos e humanos vivem perto, porém não se misturam. Há os bruxos da luz - que são os bondosos - e os bruxos das sombras - que são os malvados e devem ser aniquilados.

Nathan, o personagem principal e narrador protagonista, é filho de uma mãe bruxa da luz e de um pai das sombras que ele jamais viu. Nathan é metade luz e metade sombra, tornando-se um tipo de aberração diante de todos e ainda sem ter um caminho traçado. Ao completar 17 anos, através de quem lhe dar os três presentes, ele descobrirá seu dom e seu destino como bruxo. Se tornará um bruxo da luz ou das sombras?

De início uma leitura um pouco confusa, mas no decorrer, vemos como a escrita é bem desenvolvida e fácil de ler. A trama é boa, há algumas quebras de expectativa e é isso que gosto em histórias. São personagens adolescentes, então considero uma história bem voltada para os jovens que gostam de livros com histõrias de magias e guerra entre o bem e o mal. Se bem que nesta trama de Sally Green, ficamos torcendo para o lado das sombras. Os papéis se invertem e o "mau" se torna o "bem" ao nosso ver, como se os bruxos das sombras fossem injustiçados.
A saga de Nathan deve continuar no próximo livro "Half Wild", já que alguns personagens terminam capturados e sumidos.

A edição de Half Bad que li é da editora Íntrinseca e sua capa é muito bonita.

James Joyce e Dublinenses - Ênfase em Os Mortos. (O dia em que James Joyce me deu um soco na cara)





Um grande clássico da literatura mundial, publicado em 1914, Dublinenses de James Joyce é um livro que reúne em seu conteúdo 15 contos.

O livro foi escrito quando James Augustine Aloysius Joyce (1882-1941) tinha 25 anos, logo após outro de seu grande clássico: “O Retrato do Artista Quando Jovem”, que era publicado em jornais antes de se tornar um livro. E que por fim, também terá uma resenha aqui no blog, junto de “Ulisses”.

Os quinze contos acontecem em ruas de Dublin no fim do século XIX e início do século XX. São ordenados em ordem cronológica de forma bastante realista e dura, começando com a perda da inocência na infância, incertezas e angústias da vida jovem e a desilusão dos adultos. Não deixa de transparecer a crítica de Joyce ao mundo irlandês e um insulto a vaidade nacional, já que o escritor tinha uma relação de amor e ódio por Dublin e os Dublinenses.

O conto “Os Mortos” foi que mexeu com minhas estruturas pessoais. Primeiramente, havia lido e não gostado, mas após uma aula de literatura toda enfatizada neste último conto, me dei conta de que não havia gostado simplesmente porque não havia entendido e foram naquelas explicações que senti que fui atingida por um soco na cara pelo autor do conto.

A narrativa se passa em uma festa que duas tias resolvem fazer. Gabriel é um dos convidados mais esperados e mais estimados por suas duas tias. Um rapaz inteligente e culto que era casado com Gretta o acompanhava nesse jantar. Depois de muitas conversas e um giro em torno dos personagens, não chegamos a saber quem é o outro protagonista principal do conto depois de Gabriel e em toda leitura, nos perguntamos qual o propósito da narrativa que faria toda a trama ter algum sentido. Não irei detalhar o conto inteiro, pois espero que você, leitor, sinta a mesma coisa que senti ao ver o quanto Gabriel não passava de um babaca intelectual e veja o processo de humanização dele diante de um fato que se tornou subjetivo diante de tudo que o personagem leu e aprendeu diante da vida. O texto contém três epifanias e uma delas atinge a nós, leitores, quebrando totalmente nossa expectativa diante do conto e nos faz reparar em um personagem que quase não aparece no enredo. Podemos ter um rápido balanço e concretude da vida ao ver o quanto a importância de certas coisas é relativo.

Outros contos de dublinenses que indico são: A Casa de Pensão, Partes Complementares e Um Caso Doloroso.

A edição que li é da L&PM Pocket, 2012.




A Mulher na Era Vitoriana e Jane Eyre de Charlotte Brontë.



Após a maravilhosa leitura de "O Professor", não pude me conter em ler Jane Eyre, um dos clássicos mais estimados da literatura mundial, até transformado em roteiro de filme, da autora Charlotte Brontë.

O livro foi escrito em 1845 e publicado em 1847, inicialmente por um nome masculino: Currer Bell - cada irmã Brontë possuía um pseudônimo masculino - devido a época. Um de seus editores ao descobrir a real identidade de Currer Bell, até fala: "A literatura não pode ser o objetivo da vida de uma mulher: não deve ser". E é através dessa visão da época que temos um romance tão importante.
Esta obra apresenta a história de vida de Jane Eyre, desde sua infância até o casamento, toda inspirada em acontecimentos verídicos que estavam ao redor de Charlotte Brontë, até fatos autobiográficos, todos juntos em uma narrativa só.

Na infância Jane vivia com sua tia e primos, era apenas uma preceptora e não se sentia verdadeiramente feliz na casa que morava. Após ter se mostrado uma criança de forte personalidade e por não aceitar os tratamentos duros que recebia, foi mandada ao orfanato de Lowodd, na qual passou por diversas dificuldades e em que após terminar seus estudos, trabalhou como professora até os 18 anos. Querendo novas perspectivas à sua vida, conseguiu outro emprego como governanta em uma casa na cidade de Thornfield, em que vive uma grande paixão e novas dificuldades com o seu patrão, Sr. Rochester.

Charlotte Brontë ao escrever esta obra nos dá a visão da era vitoriana e o papel da mulher da época. Ao mesmo tempo que Jane nos parece ser submissa (lendo agora em tempos atuais), podemos ver fortes indícios de como era destemida, independente e forte, dona de uma inteligência sagaz, sem perder seu lado feminino. Tinha um ar revolucionário, porém sutil diante de muitas situações. Realmente desafiou os padrões de conduta e gênero estabelecidos na época. Temos um retrato fiel da era vitoriana, mas realmente controverso, pois Jane não tinha quase ninguém para apoiá-la, então sempre lutou e foi atrás de suas escolhas.

Demorei três semanas para terminar a leitura de quase 800 páginas e pensei em abandoná-lo, mas me entreti ao voltar a lê-lo e vi toda sua força e importância ao mundo da época vitoriana. Charlotte, de forma sutil, mexe com a mente feminina e faz vários questionamentos envolvendo o papel da mulher e suas escolhas na sociedade vitoriana, nos fazendo refletir até nos tempos de hoje.