Um grande clássico da literatura mundial, publicado em 1914, Dublinenses de James Joyce é um livro que reúne em seu conteúdo 15 contos.
O livro foi escrito quando James Augustine Aloysius Joyce (1882-1941) tinha 25 anos, logo após outro de seu grande clássico: “O Retrato do Artista Quando Jovem”, que era publicado em jornais antes de se tornar um livro. E que por fim, também terá uma resenha aqui no blog, junto de “Ulisses”.
Os quinze contos acontecem em ruas de Dublin no fim do século XIX e início do século XX. São ordenados em ordem cronológica de forma bastante realista e dura, começando com a perda da inocência na infância, incertezas e angústias da vida jovem e a desilusão dos adultos. Não deixa de transparecer a crítica de Joyce ao mundo irlandês e um insulto a vaidade nacional, já que o escritor tinha uma relação de amor e ódio por Dublin e os Dublinenses.
O conto “Os Mortos” foi que mexeu com minhas estruturas pessoais. Primeiramente, havia lido e não gostado, mas após uma aula de literatura toda enfatizada neste último conto, me dei conta de que não havia gostado simplesmente porque não havia entendido e foram naquelas explicações que senti que fui atingida por um soco na cara pelo autor do conto.
A narrativa se passa em uma festa que duas tias resolvem fazer. Gabriel é um dos convidados mais esperados e mais estimados por suas duas tias. Um rapaz inteligente e culto que era casado com Gretta o acompanhava nesse jantar. Depois de muitas conversas e um giro em torno dos personagens, não chegamos a saber quem é o outro protagonista principal do conto depois de Gabriel e em toda leitura, nos perguntamos qual o propósito da narrativa que faria toda a trama ter algum sentido. Não irei detalhar o conto inteiro, pois espero que você, leitor, sinta a mesma coisa que senti ao ver o quanto Gabriel não passava de um babaca intelectual e veja o processo de humanização dele diante de um fato que se tornou subjetivo diante de tudo que o personagem leu e aprendeu diante da vida. O texto contém três epifanias e uma delas atinge a nós, leitores, quebrando totalmente nossa expectativa diante do conto e nos faz reparar em um personagem que quase não aparece no enredo. Podemos ter um rápido balanço e concretude da vida ao ver o quanto a importância de certas coisas é relativo.
Outros contos de dublinenses que indico são: A Casa de Pensão, Partes Complementares e Um Caso Doloroso.
A edição que li é da L&PM Pocket, 2012.
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