Pesquisa

domingo, 5 de julho de 2015

A Mulher na Era Vitoriana e Jane Eyre de Charlotte Brontë.



Após a maravilhosa leitura de "O Professor", não pude me conter em ler Jane Eyre, um dos clássicos mais estimados da literatura mundial, até transformado em roteiro de filme, da autora Charlotte Brontë.

O livro foi escrito em 1845 e publicado em 1847, inicialmente por um nome masculino: Currer Bell - cada irmã Brontë possuía um pseudônimo masculino - devido a época. Um de seus editores ao descobrir a real identidade de Currer Bell, até fala: "A literatura não pode ser o objetivo da vida de uma mulher: não deve ser". E é através dessa visão da época que temos um romance tão importante.
Esta obra apresenta a história de vida de Jane Eyre, desde sua infância até o casamento, toda inspirada em acontecimentos verídicos que estavam ao redor de Charlotte Brontë, até fatos autobiográficos, todos juntos em uma narrativa só.

Na infância Jane vivia com sua tia e primos, era apenas uma preceptora e não se sentia verdadeiramente feliz na casa que morava. Após ter se mostrado uma criança de forte personalidade e por não aceitar os tratamentos duros que recebia, foi mandada ao orfanato de Lowodd, na qual passou por diversas dificuldades e em que após terminar seus estudos, trabalhou como professora até os 18 anos. Querendo novas perspectivas à sua vida, conseguiu outro emprego como governanta em uma casa na cidade de Thornfield, em que vive uma grande paixão e novas dificuldades com o seu patrão, Sr. Rochester.

Charlotte Brontë ao escrever esta obra nos dá a visão da era vitoriana e o papel da mulher da época. Ao mesmo tempo que Jane nos parece ser submissa (lendo agora em tempos atuais), podemos ver fortes indícios de como era destemida, independente e forte, dona de uma inteligência sagaz, sem perder seu lado feminino. Tinha um ar revolucionário, porém sutil diante de muitas situações. Realmente desafiou os padrões de conduta e gênero estabelecidos na época. Temos um retrato fiel da era vitoriana, mas realmente controverso, pois Jane não tinha quase ninguém para apoiá-la, então sempre lutou e foi atrás de suas escolhas.

Demorei três semanas para terminar a leitura de quase 800 páginas e pensei em abandoná-lo, mas me entreti ao voltar a lê-lo e vi toda sua força e importância ao mundo da época vitoriana. Charlotte, de forma sutil, mexe com a mente feminina e faz vários questionamentos envolvendo o papel da mulher e suas escolhas na sociedade vitoriana, nos fazendo refletir até nos tempos de hoje.

Nenhum comentário:

Postar um comentário