O livro em questão foi
escrito por Leopold Von Sacher-Masoch em 1870 e retrata a história de Severin e
Wanda, onde eles se apaixonam após uma discussão sobre relacionamentos.
Uma curiosidade deste livro
é que o termo “masoquismo” surgiu do
nome do escritor, usado primeiramente pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing e
depois popularizado por Freud e a história foi baseada em fatos que fizeram
parte da vida de Masoch com uma mulher chamada Fanny von Pistor, sua amante.
Severin
demonstra ao longo da narrativa que sempre sentiu certo prazer ao ser açoitado
ou ao ser tratado mal por alguma mulher. É um rapaz solitário e sonhador, que
idealiza encontrar uma deusa, uma déspota, uma mulher cruel e Wanda é uma
mulher inteligente, doce no início e defende um amor sem culpa:
“De um outro modo não renascerei tal
como sou. Porque então renunciar a todas as minhas vontades por causa dessas ideias? Pertencer a um homem a quem
não amo pela razão de que o amei
alguma vez? No, não renunciarei; amo a quem me agrada e torno-o ditoso. A caso é isto repugnante? Não; pelo menos é muito mais formoso
do que se me regozijasse do tormento cruel que provocam os meus encantos, e me
desviasse, virtuosa, do desgraçado que se consome por mim. Sou jovem, rica e
bela, e vivo somente para o gozo e
o prazer.”
O que chama a atenção é que esse
prazer em ser humilhado se torna um contrato entre ele e Wanda; Severin
deposita totalmente sua vida nas mãos da mulher, tornando-se seu escravo em
todos os sentidos e apenas seria liberado de sua servidão quando Wanda assim
decidisse.
A história é curta, trata-se
de um relato bastante filosófico que talvez não aborde apenas o masoquismo em
si, mas também a relação entre homem e mulher. Nota-se também que além de ele
se tornar escravo de sua senhora, o personagem se deprecia tanto chegando ao
ponto de fazer com que o amor dela acabe, pois ele não possui uma
característica de um parceiro de verdade que Wanda parecia procurar. Severin, a
todo momento diz amar sua senhora, entrega-lhe sua vida, quase suicida-se por
sua deusa e com isso, consegue se diminuir como pessoa, apenas conquistando,
por fim, o desdém da amada. Quanto mais ele demonstrava estar aos seus pés, mais
ela começava a desprezá-lo. Logo depois encontrou um homem totalmente ao
contrário da personalidade de Severin e talvez, o que ela realmente procurava
para si como um ideal próprio. Por fim, percebe-se que ele transformou Wanda em
uma pessoa cruel e se destinou à autodestruição em que terminou.
Além da questão da patologia
que é bem explicita, verifica-se a diferença entre a relação de poder numa
relação entre homem e mulher e uma frase muito significativa do fim da obra
deixa isso bem claro:
“A moral é que a mulher, tal como a
natureza a criou e como o homem atualmente a educa, é sua inimiga, podendo
tão-somente ser sua escrava ou sua déspota jamais sua companheira. Isto, só
quando ela tiver os mesmos direitos que ele, só quando por nascimento, pela
formação e pelo trabalho, for igual a ele.”
Não se pode
dizer que é uma história erótica, com cenas quentes e excitantes, mas contém
bastante elementos fetichistas. Também não pode se dizer que é uma história de
amor, vendo que por um lado o sentimento dele parece totalmente desenfreado, louco,
mas não pode-se julgar a forma como ele ama, como ele se sente bem ou como
sente prazer. Sente-se pena dele em alguns momentos, pois era uma forma de amar
muito diferente do aceito e do adaptável para uma pessoa com pensamentos e
visões diferentes. Conclui-se que Wanda acaba se tornando cruel de verdade e o
machuca ao extremo, sem dó ou compaixão, por realmente não sentir amor de
verdade e não conseguir se encaixar na forma de amar de Severin. Isso pode se
dar ao fato de que ele se colocava em uma situação de humilhação completa,
podendo vir a deixar Wanda cansada ou destruir seu interesse por ele agindo da
maneira que agia.
O livro é
pequeno e bastante filosófico, como já mencionado e é de extrema importância
para a história mundial, pois foi uma das primeiras obras a relatar de um
assunto que ninguém comentava na época e deu base para estudos envolvendo
comportamentos masoquistas.
“Só se pode verdadeiramente amar o que está acima de nós, o
que nos oprime pela beleza, pelo temperamento, pelo espírito, pela força de
vontade, e se torna nossa déspota”.




















