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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Masoquismo em “A Vênus das Peles” de Sacher Masoch




O livro em questão foi escrito por Leopold Von Sacher-Masoch em 1870 e retrata a história de Severin e Wanda, onde eles se apaixonam após uma discussão sobre relacionamentos.

Uma curiosidade deste livro é que o termo “masoquismo” surgiu do nome do escritor, usado primeiramente pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing e depois popularizado por Freud e a história foi baseada em fatos que fizeram parte da vida de Masoch com uma mulher chamada Fanny von Pistor, sua amante.





Severin demonstra ao longo da narrativa que sempre sentiu certo prazer ao ser açoitado ou ao ser tratado mal por alguma mulher. É um rapaz solitário e sonhador, que idealiza encontrar uma deusa, uma déspota, uma mulher cruel e Wanda é uma mulher inteligente, doce no início e defende um amor sem culpa:


De um outro modo não renascerei tal como sou. Porque então renunciar a todas as minhas vontades por causa dessas ideias? Pertencer a um homem a quem não amo pela razão de que o amei alguma vez? No, não renunciarei; amo a quem me agrada e torno-o ditoso. A caso é isto repugnante? Não; pelo menos é muito mais formoso do que se me regozijasse do tormento cruel que provocam os meus encantos, e me desviasse, virtuosa, do desgraçado que se consome por mim. Sou jovem, rica e bela, e vivo somente para o gozo e o prazer.






O que chama a atenção é que esse prazer em ser humilhado se torna um contrato entre ele e Wanda; Severin deposita totalmente sua vida nas mãos da mulher, tornando-se seu escravo em todos os sentidos e apenas seria liberado de sua servidão quando Wanda assim decidisse.

A história é curta, trata-se de um relato bastante filosófico que talvez não aborde apenas o masoquismo em si, mas também a relação entre homem e mulher. Nota-se também que além de ele se tornar escravo de sua senhora, o personagem se deprecia tanto chegando ao ponto de fazer com que o amor dela acabe, pois ele não possui uma característica de um parceiro de verdade que Wanda parecia procurar. Severin, a todo momento diz amar sua senhora, entrega-lhe sua vida, quase suicida-se por sua deusa e com isso, consegue se diminuir como pessoa, apenas conquistando, por fim, o desdém da amada. Quanto mais ele demonstrava estar aos seus pés, mais ela começava a desprezá-lo. Logo depois encontrou um homem totalmente ao contrário da personalidade de Severin e talvez, o que ela realmente procurava para si como um ideal próprio. Por fim, percebe-se que ele transformou Wanda em uma pessoa cruel e se destinou à autodestruição em que terminou.

Além da questão da patologia que é bem explicita, verifica-se a diferença entre a relação de poder numa relação entre homem e mulher e uma frase muito significativa do fim da obra deixa isso bem claro:

A moral é que a mulher, tal como a natureza a criou e como o homem atualmente a educa, é sua inimiga, podendo tão-somente ser sua escrava ou sua déspota jamais sua companheira. Isto, só quando ela tiver os mesmos direitos que ele, só quando por nascimento, pela formação e pelo trabalho, for igual a ele.




Não se pode dizer que é uma história erótica, com cenas quentes e excitantes, mas contém bastante elementos fetichistas. Também não pode se dizer que é uma história de amor, vendo que por um lado o sentimento dele parece totalmente desenfreado, louco, mas não pode-se julgar a forma como ele ama, como ele se sente bem ou como sente prazer. Sente-se pena dele em alguns momentos, pois era uma forma de amar muito diferente do aceito e do adaptável para uma pessoa com pensamentos e visões diferentes. Conclui-se que Wanda acaba se tornando cruel de verdade e o machuca ao extremo, sem dó ou compaixão, por realmente não sentir amor de verdade e não conseguir se encaixar na forma de amar de Severin. Isso pode se dar ao fato de que ele se colocava em uma situação de humilhação completa, podendo vir a deixar Wanda cansada ou destruir seu interesse por ele agindo da maneira que agia.

O livro é pequeno e bastante filosófico, como já mencionado e é de extrema importância para a história mundial, pois foi uma das primeiras obras a relatar de um assunto que ninguém comentava na época e deu base para estudos envolvendo comportamentos masoquistas.

“Só se pode verdadeiramente amar o que está acima de nós, o que nos oprime pela beleza, pelo temperamento, pelo espírito, pela força de vontade, e se torna nossa déspota”.





quinta-feira, 28 de julho de 2016

Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio. "O Último Adeus" de Cynthia Hand.



"Claro, não faz sentido ficar brava. É improdutivo. Eles ainda não entendem. Que estão esperando por aquele telefonema que mudará tudo. Que cada um vai acabar se sentindo como eu. Porque alguém que eles amam vai morrer. É uma das certezas mais cruéis da vida."


O livro "O Último Adeus" da escritora Cynthia Hand foi lançado nesse ano aqui no Brasil (2016), pela Darkside Books (minha editora favorita) dentro da linha Darklove. O livro tem um design muito bonito e vem com um post-it amarelo na capa. Toda a temática dele é como se fosse escrito a caneta, como em um diário. Como sempre, a Darkside caprichando no visual dos livros. Como eu amo essa editora.


A narrativa não é complicada de ler, isto é, a leitura flui facilmente (fiz a leitura em três dias), porém tem alguns erros de escrita no livro. Ele possui 352 páginas e seu título original em inglês é "The Last Time We Say Goodbye".






A história é narrada por Alexis, ou Lex, que é seu apelido, como se fosse um grande diário. Na verdade, o diário foi uma ideia de seu terapeuta, para que funcionasse como uma válvula de escape, já que ela se negava a tomar antidepressivos. Ela perdeu seu irmão há pouco tempo que cometeu suicídio na garagem de casa e apenas deixou um bilhete em um post-it amarelo dizendo: "Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio".


Lex narra seus sentimentos durante o momento de perda e conta sobre o que acontecia em sua infância, lembrando de passagens de sua vida junto com seu irmão Tyler. Ty, como ela o chamava, era mais novo que ela e antes de cometer o suicídio, já havia tentado uma outra vez, sem sucesso. Aparentemente, era um garoto normal na visão da irmã e da família. 


A mãe tinha se separado do pai há alguns anos e após o falecimento do filho, acaba por começar a beber sempre e tomar remédios para dormir para escapar da dor.  Lex começou a ver o irmão pela casa como um fantasma e a sentir que ele queria que ela fizesse algo para ele ficar em paz, apesar de não acreditar em coisas espirituais. Lex gostava muito de matemática e ciência; era uma garota muito inteligente, então o que não fosse provado pela ciência, ela não acreditava. 





O livro tem uma temática pesada, pois há todo momento eu pensava na minha família e se isso acontecesse comigo. Há todo momento eu me pegava pensando que desmoronaria se estivesse no lugar da personagem e por vezes consegui ter uma noção da dor que ela sentia. Só o fato de ela ter continuado indo à escola e se mostrado forte para conseguir estudar e ter notas boas para a faculdade, torna-a uma personagem muito valente, apesar da situação difícil do momento. Ela mesma descreve que se arrastava para fazer atividades normais do dia-a-dia. No lugar dela, eu não teria ânimo para continuar.


Ela carrega uma grande culpa dentro de si pela morte do irmão e culpa também seus familiares e a ex-namorada de Ty, por não perceberem que ele não estava bem e ficarem atentos com ele, afinal ele já tinha tentado se matar uma vez. Ela não se perdoava por no dia do suicídio não ter respondido a mensagem do irmão, pois estava com o namorado.




É um livro emocionante, doloroso, mas nos mostra uma grande história de amor e a tentativa de superação diante de fatos que não esperamos, que machucam e partem nossos corações. A dor da morte de um ente querido é horrível, mas de um suicídio deve ser muito pior, pois nos sentimos impotentes por ver que não ajudamos e que não estávamos lá pela pessoa quando ela mais precisou. 


É interessante a abordagem do tema, porque no nosso cotidiano não vemos muitas notícias sobre suicídio, até porque isso não pode ser divulgado. O Brasil é o 8º país com maior número de suicídios (OMS, 2012) e a taxa de mortalidade só vem aumentando todos os anos. A cada 40 segundos uma pessoa se mata e só 28 países tem planos de prevenção contra isso. Geralmente, mais homens cometem suicídio e as causas se diferem entre países desenvolvidos e países sub-desenvolvidos. Nos países desenvolvidos a causa é quase sempre por distúrbios mentais, como o alcoolismo e a depressão; e nos países mais pobres a causa envolve problemas socioeconômicos. Pode também existir a possibilidade de suicídios por problemas com violência, abuso e traumas sofridos. Aqui no brasil, localizei o site http://www.abeps.org.br/ que é a Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, sem fins lucrativos. Para quem tiver interesse mais sobre o assunto, é interessante dar uma conferida nesse site. 




O assunto ainda é um tabu, mas tem que ser discutido e mostrado. 


Sugiro o livro para a leitura para quem sofre com problemas de depressão ou que sofreu com a morte de algum ente querido dessa forma. 

PS: O livro possui uma trilha sonora no Spotify para quem quiser conferir. :)

"O tempo passa. É a regra. Independentemente do que aconteça, por mais que pareça que tudo em sua vida está congelado em um determinado momento, o tempo segue em frente."

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Agnes Grey por Anne Brontë.

"É bobagem desejar a beleza. Pessoas sensatas nunca a desejam para si mesmas, nem a desejam nos outros. Se a mente fosse bem cultivada e o coração bem disposto, ninguém se importaria com o exterior."

 
 
 

 

 

Outra leitura concluída, dessa vez, com a obra da mais nova das três irmãs Brontë (Emily e Charlotte): Anne.
 
Anne nasceu em Thornton, Inglaterra, em 17 de janeiro de 1820 e morreu de tuberculose aos 29 anos em 28 de maio de 1849. Usou também o pseudônimo masculino Acton Bell, assim como suas irmãs também utilizaram, para produzir suas obras literárias em um século aonde as mulheres não podiam escrever.
 
Esse é o primeiro livro de Anne que li, apesar de ser muito fã de Charlotte e Emily Brontë, a última a qual escreveu meu livro favorito que é "O Morro dos Ventos Uivantes".
 
A leitura correu de forma muito agradável, surpreendendo em alguns pontos no decorrer dos capítulos.
 
 
 
 
O livro é pequeno, de quase 200 páginas e a edição que li, não era intitulada "Agnes Grey", mas sim "A Preceptora", ´que é a mesma coisa. Porém "Agnes Grey" é seu título original. Foi escrito por volta de 1847 e foi o primeiro romance da autora, baseado em suas experiências pessoais como preceptora da época, escrito em primeira pessoa.
 
Essa narrativa conta a história de uma jovem menina que abandona o lar para se entregar a profissão de preceptora, tendo de viver em outra região longe da família para se dedicar totalmente a criação de filhos de pessoas da aristocracia inglesa, já que sua família não estava passando por uma situação financeira muito favorável. Ela desejava trabalhar em alguma coisa e ser útil em prover alguma ajuda a seus entes queridos.
 
Na primeira família em que foi trabalhar, ela relata grandes dificuldades de sua primeira experiência e em como sofreu tentando dar o melhor de si, sem nenhuma grande habilidade com crianças e com ensino, então por isso, sempre foi muito criticada na forma de trabalhar pelos familiares que a contrataram. Porém, nessas narrativas também podemos notar o erro dos pais na criação de suas crianças e uma crítica referente as convenções sociais da época.
 
 
 
 
 
 
Na história, Agnes apenas teve experiências profissionais em duas famílias, em que as crianças eram insuportáveis e com gênio muito forte. Há uma certa inocência de Agnes antes de sair de sua casa para o ofício de preceptora, pensando que tudo seria maravilhoso, porém esse pensamento é destruído pela ignorância mundana e ela se dá conta de como existem pessoas ruins no mundo. Há até uma passagem em que a mãe de Agnes diz sobre existir pessoas ruins e boas, indiferente de suas classes sociais. Em meio a esses acontecimentos, Agnes se apaixona por um pastor da cidade, o que dá um outro andamento a narrativa, tornando-a mais instigante.
 
É interessante ver a importância desses contos em que principalmente as irmãs Brontë, relatam as suas lutas diárias sociais e feministas dentro da sociedade inglesa do século XVIII. Ela criou pessoas reais com seus personagens, que passavam por lutas reais e duras dessa época, de uma forma magnífica. É um assunto que de início parece meio desinteressante, mas a forma de Anne escrever torna o fato relatado incrível, quase poético.
 
 
 

"Estou firmemente convencida de que não era assim. Sentia-me triste por ela. Admirava-me tanta vaidade e tanta falta de coração. Pasmava que tanta beleza tivesse sido dada a quem dela fazia tão mau uso, e, em compensação, fosse negada a outras que dela teriam auferido benefícios para elas e para os outros. Mas Deus sabe, concluí. Há, sem dúvida, homens vaidosos, sem coração como ela e mulheres como essa talvez sirvam para castigá-los."

 
 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Cem Anos de Solidão por Gabriel García Márquez

"Ninguém merece as tuas lágrimas, mas quem quer que as mereça não te vai fazer chorar."




Depois de algum tempo longe do blog, pois estava sem tempo por conta do trabalho e faculdade, volto hoje com um grande título do colombiano Gabriel Gárcia Marquez, vencedor do prêmio Nobel da Literatura, escrito à partir de 1965 e publicado em 1967 pela editora Record. O livro se chama Cem Anos de Solidão. 

Ele nos conta a história de uma família em sua geração, totalizando talvez mais do que cem anos em uma cidade chamada Macondo, fundada pela família Buendía. A narrativa é maravilhosa, pois mistura a realidade de um povo, junto a fantasia. Algumas partes do enredo que particularmente são fantásticas, fala sobre uma menina que comia terra e tinta das paredes que arrancava com as unhas, um homem que vivia cercado de borboletas brancas, espíritos que apareciam para conversar ou pedir algo e uma menina que sobe aos céus junto de lençóis estendidos e que faz um dos membros da família se preocupar com o lençol que subiu e nunca mais desceu.

Toda a geração leva o nome de seus antepassados, principalmente de José Arcádio e Aureliano. A primeira mulher da geração, Úrsula, que acompanhou toda a tristeza e acontecidos loucos da família, é a personagem que vive por mais de cem anos e uma das mais sábias que há na história. Úrsula, ao meu ver, é muito forte e podemos chegar a pensar que todos os cem anos de solidão dessa família e suas gerações foram acompanhadas por ela, sendo assim a personagem mais importante da história, onde acompanhou dias de guerra, a morte e desaparecimento de filhos e todos os acontecimentos sobrenaturais que se passam na narrativa, juntamente do enriquecimento e dias felizes que a família também passou.

Esse grande escritor me chamou muito a atenção quando eu tinha 13 anos e peguei um livro chamado O Amor nos Tempos do Coléra e que marcou minha vida. É um romance intenso, triste e lindo ao mesmo tempo, que me fez por dias sentir aquela depressão pós leitura que só os leitores assíduos conhecem.

A forma como ele narra os acontecimentos, a forma de escrever, é quase como uma poesia feita em prosa, tornando todo acontecimento da história interessante e ao mesmo tempo fazendo com que algo fora do real seja tão simples em sua descrição, mas tão chocante em seu significado.



"Atordoado por duas nostalgias que se contrapunham como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido da irrealidade, até acabar recomendando a todos que fossem embora de Macondo, que olvidassem tudo que ele havia ensinado do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio, e que em qualquer lugar em que estivessem recordassem sempre que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera."



sábado, 15 de agosto de 2015

O Olho por Vladimir Nabokov.



Nos últimos meses, meu fascínio pelos livros de Vladimir Nabokov cresceram gradualmente, ainda mais depois de minha leitura de "Riso no Escuro"(tem resenha dele aqui). Com certeza, esse grande autor faz parte da lista de meus escritores prediletos. Então, aviso aos leitores que teremos ainda muitas resenhas dele daqui pra frente. E com isso, espero encontrar narrativas de Nabokov ainda mais extraordinárias para quem sabe, despertar em vocês uma ponta de curiosidade em ler também os livros desse literato tão admirável.

Enfim, vamos falar de "O Olho".

O texto foi composto em 1930 originalmente em russo. Logo após este livro foi publicado em 1965, com a tradução para o inglês feita pelo próprio Nabokov e seu filho Dmitri. Inicialmente ele foi divulgado em três capítulos na Playboy de 1965.

Playboy em que foi publicado os três capítulos de "O Olho".

A história se passa na época entre 1924-1925, com expatriados russos em Berlim. Conhecemos então seu personagem principal, o jovem Smurov, que trabalhava como tutor de dois meninos de uma família russa. Ele se envolve com Matilda, uma mulher casada e não muito tempo depois, seu marido descobre e vai atrás do jovem, tirar satisfações e o humilha a base de bengaladas, uma cena bastante cômica. Diante dessa situação, Smurov decide cometer suícidio. 

Neste ponto a história tem uma transformação. Não sabe se ao certo ele conseguiu êxito em seu plano, ou se falha e tenta outra forma de vida, mudando sua personalidade e sua história diante dos laços que mantinha e acabando por se observar à frente de tais fatos, como um espectador. Quem sabe tentando esquecer a humilhação que passara, ou realmente analisando episódios que vivenciou enquanto estava vivo, tirando suas próprias conclusões.

Por fim, percebemos ao longo da narrativa que seguimos cada passo de Smurov para tentar entender a intenção do personagem ou para descobrir um feito escondido que se revele em algum deslize do protagonista.

O livro contém 107 páginas, da editora Objetiva. É uma leitura rápida, fácil, mas ao mesmo tempo confusa, principalmente após o suposto suicídio de Smurov. Talvez a conclusão da história tenha uma interpretação individual de leitor para leitor e a minha ficou descrita logo acima. 
Se você leu ou vai ler "O Olho", venha aqui depois e comente qual foi sua interpretação da história! Irei gostar muito de saber a opinião de outros leitores. 



domingo, 2 de agosto de 2015

O Criador do Existencialismo em Notas do Subterrâneo de Fiódor Dostoiévski.



Esse é o primeiro título de Fiódor Dostoiévski que resolvi ler, pois era um livro relativamente pequeno e com uma descrição bastante interessante. Dostoiévski é um escritor russo (1821-1881), considerado um dos criadores do existencialismo justamente por esse livro "Notas do Subterrâneo", um dos assim chamados romances de ideias. Ele também é o autor do famoso "Crime e Castigo", que é um dos títulos que ainda está na minha lista de leituras que gostaria de fazer.

O livro "Notas do Subterrâneo" é uma história razoavelmente curta, dependendo da edição, contendo menos de 150 páginas. É dividido em duas partes; O Subterrâneo e sua segunda parte em A Propósito da Neve Molhada. Apesar de ser uma narrativa pequena, é necessário grande concentração da parte do leitor, por ser bastante filosófico e por obter pensamentos de difícil compreensão e interpretação.

A primeira parte do livro, "O Subterrâneo", Dostoiévski nos explica em uma nota de rodapé, que os descritos seguintes feitos pelo seu personagem são fictícios e nos atenta que pessoas como esse narrador de fato existem em nossa sociedade. Logo após o relator da história se apresenta e também às suas ideias, explicando o porquê e a causa de aparecer em nossa sociedade. Nesta pequena introdução, há frases bastante complexas e existencialistas. Ideias reflexivas e que não deixam de ser verdades até nos dias atuais perante aos comportamentos da sociedade, o que me causa bastante impacto, pois a obra foi publicada em 1864. É um tipo de solilóquio, no qual ele tenta se explicar e se auto depreciar diante de seu leitor querendo causar um tipo de pena, dizendo que é uma pessoa má, mas que por algumas vezes pode ser considerado um homem bom. Por fim, ele decide que o melhor é não fazer nada à respeito dessa visão de se tornar um homem respeitável. Uma frase muito interessante e impactante que li e resolvi até marcar é a seguinte: "Foi dito que o homem se vinga porque vê nisso justiça (...), se tento vingar-me é por pura maldade".

O narrador, bastante amargo, isolado e que não possui nome, pois ele não o diz no livro inteiro, é um homem que mantém um ódio pelo mundo e pelas pessoas. Ao mesmo tempo que os despreza procura avidamente pela atenção de seus semelhantes, beirando sempre à humilhação e a auto depreciação, junto de seus delírios e explosões de ódio. 

Na segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", ele relata alguns acontecimentos de sua vida, ao qual é percebido o quanto esse personagem é ruim e desprezível, porém ao mesmo tempo o quanto ele sente gosto por agir de forma totalmente fora de propósito. Há uma reflexão bastante intima do narrador, um perfeito fluxo de consciência em seu grande final. 

O livro, por fim, leva a reflexão diante de várias questões da condição humana e seus sentimentos, como a vingança e a maldade. O homem do subsolo pode ser representado pelo homem moderno, solitário, que busca por sua felicidade, mas acaba indo às ruínas por conta das cobranças de uma sociedade idiota. 

É uma leitura complicada, principalmente para iniciantes, porém faz com que se desperte muitas verdades sobre o ser humano, que se mantém inquietas no íntimo de muitas pessoas.



sábado, 18 de julho de 2015

A Crueldade em Riso no Escuro de Vladimir Nabokov


Não poderíamos deixar de publicar mais uma resenha de um livro desse grande escritor que deu nome ao meu blog: Vladimir Nabokov!

Riso no Escuro é outro romance surpreendente desse maravilhoso escritor. Um dos livros que me achou na biblioteca, escondidinho e que me chamou muito discretamente com seu título espetaculoso.

Essa formidável narrativa foi publicada por volta de 1932 e 1938, pois em 1932 ela era serializada em uma revista; em 1936 foi traduzida por outra pessoa de uma forma que deixou Nabokov descontente e então em 1938 ele publicou sua própria tradução. 

O livro é composto por 201 páginas pela editora Companhia das Letras. Minha leitura foi terminada em apenas dois dias, pois a história tem uma tamanha capacidade de prender o leitor até o fim e um enredo impactante e cruel.

O primeiro capítulo é bastante direto e descreve a narrativa: "Era uma vez um homem que se chamava Albinus e vivia em Berlim. Era rico, respeitável e feliz; certo dia abandonou a mulher por causa de uma jovem amante; amou, não foi amado; e sua vida acabou em desastre". 

A amante em questão é Margot, uma Lolita um pouco mais velha, com seus dezoito anos, bastante sensual e frívola. Ela dominou a vida de Albinus que era casado, tinha uma filha de oito anos e uma boa carreira como crítico de arte. Analisando bem a narrativa, é percebido que ela destruiu o casamento de Albinus propositalmente ao enviar uma carta para a residência dele, e ele não conseguir interceptar o recebimento desta a tempo. Desde o ínicio a intenção de Margot nunca fora das melhores. Ela apenas se interessava pelo dinheiro que ele tinha e por sua ambição em um dia se tornar atriz. E Albinus jamais desconfiou de sua pequena beldade e seu outro amante Rex que no passado já havia vivido um romance com a bela moça. Rex junto de Margot, criam as maiores maldades contra Albinus: são dois personagens  maldosos, impiedosos e egoístas.

O significado do título Riso no Escuro só será revelado a uma certa altura dos fatos o que torna a leitura ainda mais intrigante. É cruel, triste, mas uma realidade vivida por muitas pessoas. 

O livro contém quebras de expectativas que é um ponto forte nas leituras que faço e é muito realista quanto a histórias que envolvem traição, crueldade e o ponto que um homem  chega ao ser tomado pelo desejo; como um homem pode se cegar diante de mulheres que sabem como dominar. Descreve muito bem a mente de uma pessoa envolvida pela cobiça e a libido e como isso pode se tornar uma ingenuidade da parte de quem está cativado por um amor não correspondido.

Recomendo muito a leitura deste livro, tanto pela história quanto pela forma que o autor descreve os fatos, mostrando as fraquezas mais íntimas e obscuras do ser humano.


O Teorema Katherine de John Green




Depois de muito tempo e muita curiosidade, finalmente encontrei na biblioteca de minha cidade um título do escritor John Green que ultimamente vem sendo muito comentado e que publicou alguns títulos que viraram filme, como "A Culpa é das Estrelas". Não assisti nenhum de seus filmes e Teorema Katherine foi o primeiro título de Green que li.

John Michael Green é um escritor norte-americano, nascido no dia 24 de agosto de 1977, na cidade de Indianápolis. Ele é querido pelo mundo todo (principalmente pelos adolescentes) por seus best sellers: Quem é Você, Alaska? e Cidades de Papel.

O Teorema Katherine é um livro envolvendo matemática. Mas não precisa se assustar. Não é nada tão mirabolante, difícil de entender e muito menos entediante.

Colin, o personagem principal desta narrativa é um prodígio desde pequeno e muito bom na criação de anagramas. É do tipo nerd, que vive em na companhia de uma ótima família. Namorou 19 Katherines em toda sua adolescência e absolutamente todas terminaram com ele. Após a sua atual Katherine terminar o relacionamento com Colin e ele passar por um período de sofrimento, seu melhor amigo Hassan o apoia e juntos eles colocam o pé na estrada. Nessa viagem de amigos, Colin tenta esquecer o ocorrido e assim começa com a formação de seu teorema na cidade em que fizeram sua parada e conheceram novas pessoas. Ele cria fórmulas matemáticas para tentar entender o porquê de todas as Katherines terem terminado o namoro com ele e para talvez prever o tempo que um relacionamento poderia vir à durar.

O livro é de fácil leitura, sem muitas complicações e sem quebras de expectativas, mais recomendado para o entretenimento adolescente. O lado bacana da história de John Green é a forma como é apresentado o ponto de vista de quem sofre, a parte mais realista dos desapontamentos de um término de namoro, como por exemplo, quando a pessoa passa o decorrer dos dias olhando o telefone esperando por uma ligação perdida ou apenas uma mensagem. Todos já passamos por esse tipo de tristeza e é interessante essa veracidade que o livro passa aos leitores. Expõe também que nem tudo é perfeito em nossas vidas, mas nem todo sofrimento dura para sempre.

Algumas passagens do livro me fizeram pensar e me remeteram a tempos de minha adolescência, mas deixo claro que não é o tipo de história de que gosto. Porque às vezes na vida cotidiana a qual estamos acostumados, não é sempre que certos acontecimentos terminam de forma boa, como os livros best sellers apresentam. Teorema Katherine oscila entre o real e o sonho de um final feliz. 




O livro foi publicado em 2006, com quase 300 páginas pela editora Íntrinseca.

domingo, 5 de julho de 2015

Percy Jackson e o Último Olimpiano de Rick Riordan



O quinto e último livro da primeira temporada da séria Percy Jackson, de Rick Rordan inicia-se com uma batalha entre Percy, cães infernais e outros seres mitológicos, acompanhada de uma incrível explosão do Princesa Andrômeda, porém ele venceu apenas uma das batalhas.

Os meios-sangues passaram um ano inteiro preparando-se para a batalha contra os titãs, enquanto os deuses ocuparam-se com o monstro Tição que já se aproximava de Manhattan. A batalha pode não apenas destruir os deuses, mas acabar com a civilização, caso os deuses e semi deuses sejam devotados pelo exército de Cronos. E isso obriga Percy a fazer uma visita rápida ao Rio Estige.

Morfeu, o deus dos sonhos, põe para dormir milhões de habitantes em Manhattan e isso dá início a inesquecível batalha entre titãs, deuses e semi deuses. Percy conta com a ajuda dos famosos Ponêis de Festa, entre eles o centauro mais divertido, Larry. Percy ainda tem de lutar com criaturas mitológicas que retornaram do Tártaro depois de milênios, como a porca gigante voadora Camoniana.

Além destas, outras batalhas são travadas e Percy teme a sua própria morte, já que a profecia dizia que seu décimo sexto aniversário significaria a sua morte.

Rick Riordan faz a incrível narração do heroi Percy jackson, um último desfecho da série que já vendeu milhões de cópias e já conquistou uma legião de fãs por todo o mundo.

Um último livro para fãs de mitologia grega que já acompanham a série desde o início. Batalhas incríveis que prendem o leitor até o final da trama.

Os Novos Bruxos de Half Bad de Sally Green.



Half Bad é o primeiro romance da escritora Sally Green que começou a escrever em 2010 e publicou seu primeiro livro em 2014.

A histõria se passa na Inglaterra, aonde os bruxos e humanos vivem perto, porém não se misturam. Há os bruxos da luz - que são os bondosos - e os bruxos das sombras - que são os malvados e devem ser aniquilados.

Nathan, o personagem principal e narrador protagonista, é filho de uma mãe bruxa da luz e de um pai das sombras que ele jamais viu. Nathan é metade luz e metade sombra, tornando-se um tipo de aberração diante de todos e ainda sem ter um caminho traçado. Ao completar 17 anos, através de quem lhe dar os três presentes, ele descobrirá seu dom e seu destino como bruxo. Se tornará um bruxo da luz ou das sombras?

De início uma leitura um pouco confusa, mas no decorrer, vemos como a escrita é bem desenvolvida e fácil de ler. A trama é boa, há algumas quebras de expectativa e é isso que gosto em histórias. São personagens adolescentes, então considero uma história bem voltada para os jovens que gostam de livros com histõrias de magias e guerra entre o bem e o mal. Se bem que nesta trama de Sally Green, ficamos torcendo para o lado das sombras. Os papéis se invertem e o "mau" se torna o "bem" ao nosso ver, como se os bruxos das sombras fossem injustiçados.
A saga de Nathan deve continuar no próximo livro "Half Wild", já que alguns personagens terminam capturados e sumidos.

A edição de Half Bad que li é da editora Íntrinseca e sua capa é muito bonita.