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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Cem Anos de Solidão por Gabriel García Márquez

"Ninguém merece as tuas lágrimas, mas quem quer que as mereça não te vai fazer chorar."




Depois de algum tempo longe do blog, pois estava sem tempo por conta do trabalho e faculdade, volto hoje com um grande título do colombiano Gabriel Gárcia Marquez, vencedor do prêmio Nobel da Literatura, escrito à partir de 1965 e publicado em 1967 pela editora Record. O livro se chama Cem Anos de Solidão. 

Ele nos conta a história de uma família em sua geração, totalizando talvez mais do que cem anos em uma cidade chamada Macondo, fundada pela família Buendía. A narrativa é maravilhosa, pois mistura a realidade de um povo, junto a fantasia. Algumas partes do enredo que particularmente são fantásticas, fala sobre uma menina que comia terra e tinta das paredes que arrancava com as unhas, um homem que vivia cercado de borboletas brancas, espíritos que apareciam para conversar ou pedir algo e uma menina que sobe aos céus junto de lençóis estendidos e que faz um dos membros da família se preocupar com o lençol que subiu e nunca mais desceu.

Toda a geração leva o nome de seus antepassados, principalmente de José Arcádio e Aureliano. A primeira mulher da geração, Úrsula, que acompanhou toda a tristeza e acontecidos loucos da família, é a personagem que vive por mais de cem anos e uma das mais sábias que há na história. Úrsula, ao meu ver, é muito forte e podemos chegar a pensar que todos os cem anos de solidão dessa família e suas gerações foram acompanhadas por ela, sendo assim a personagem mais importante da história, onde acompanhou dias de guerra, a morte e desaparecimento de filhos e todos os acontecimentos sobrenaturais que se passam na narrativa, juntamente do enriquecimento e dias felizes que a família também passou.

Esse grande escritor me chamou muito a atenção quando eu tinha 13 anos e peguei um livro chamado O Amor nos Tempos do Coléra e que marcou minha vida. É um romance intenso, triste e lindo ao mesmo tempo, que me fez por dias sentir aquela depressão pós leitura que só os leitores assíduos conhecem.

A forma como ele narra os acontecimentos, a forma de escrever, é quase como uma poesia feita em prosa, tornando todo acontecimento da história interessante e ao mesmo tempo fazendo com que algo fora do real seja tão simples em sua descrição, mas tão chocante em seu significado.



"Atordoado por duas nostalgias que se contrapunham como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido da irrealidade, até acabar recomendando a todos que fossem embora de Macondo, que olvidassem tudo que ele havia ensinado do mundo e do coração humano, que cagassem para Horácio, e que em qualquer lugar em que estivessem recordassem sempre que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera."



sábado, 15 de agosto de 2015

O Olho por Vladimir Nabokov.



Nos últimos meses, meu fascínio pelos livros de Vladimir Nabokov cresceram gradualmente, ainda mais depois de minha leitura de "Riso no Escuro"(tem resenha dele aqui). Com certeza, esse grande autor faz parte da lista de meus escritores prediletos. Então, aviso aos leitores que teremos ainda muitas resenhas dele daqui pra frente. E com isso, espero encontrar narrativas de Nabokov ainda mais extraordinárias para quem sabe, despertar em vocês uma ponta de curiosidade em ler também os livros desse literato tão admirável.

Enfim, vamos falar de "O Olho".

O texto foi composto em 1930 originalmente em russo. Logo após este livro foi publicado em 1965, com a tradução para o inglês feita pelo próprio Nabokov e seu filho Dmitri. Inicialmente ele foi divulgado em três capítulos na Playboy de 1965.

Playboy em que foi publicado os três capítulos de "O Olho".

A história se passa na época entre 1924-1925, com expatriados russos em Berlim. Conhecemos então seu personagem principal, o jovem Smurov, que trabalhava como tutor de dois meninos de uma família russa. Ele se envolve com Matilda, uma mulher casada e não muito tempo depois, seu marido descobre e vai atrás do jovem, tirar satisfações e o humilha a base de bengaladas, uma cena bastante cômica. Diante dessa situação, Smurov decide cometer suícidio. 

Neste ponto a história tem uma transformação. Não sabe se ao certo ele conseguiu êxito em seu plano, ou se falha e tenta outra forma de vida, mudando sua personalidade e sua história diante dos laços que mantinha e acabando por se observar à frente de tais fatos, como um espectador. Quem sabe tentando esquecer a humilhação que passara, ou realmente analisando episódios que vivenciou enquanto estava vivo, tirando suas próprias conclusões.

Por fim, percebemos ao longo da narrativa que seguimos cada passo de Smurov para tentar entender a intenção do personagem ou para descobrir um feito escondido que se revele em algum deslize do protagonista.

O livro contém 107 páginas, da editora Objetiva. É uma leitura rápida, fácil, mas ao mesmo tempo confusa, principalmente após o suposto suicídio de Smurov. Talvez a conclusão da história tenha uma interpretação individual de leitor para leitor e a minha ficou descrita logo acima. 
Se você leu ou vai ler "O Olho", venha aqui depois e comente qual foi sua interpretação da história! Irei gostar muito de saber a opinião de outros leitores. 



domingo, 2 de agosto de 2015

O Criador do Existencialismo em Notas do Subterrâneo de Fiódor Dostoiévski.



Esse é o primeiro título de Fiódor Dostoiévski que resolvi ler, pois era um livro relativamente pequeno e com uma descrição bastante interessante. Dostoiévski é um escritor russo (1821-1881), considerado um dos criadores do existencialismo justamente por esse livro "Notas do Subterrâneo", um dos assim chamados romances de ideias. Ele também é o autor do famoso "Crime e Castigo", que é um dos títulos que ainda está na minha lista de leituras que gostaria de fazer.

O livro "Notas do Subterrâneo" é uma história razoavelmente curta, dependendo da edição, contendo menos de 150 páginas. É dividido em duas partes; O Subterrâneo e sua segunda parte em A Propósito da Neve Molhada. Apesar de ser uma narrativa pequena, é necessário grande concentração da parte do leitor, por ser bastante filosófico e por obter pensamentos de difícil compreensão e interpretação.

A primeira parte do livro, "O Subterrâneo", Dostoiévski nos explica em uma nota de rodapé, que os descritos seguintes feitos pelo seu personagem são fictícios e nos atenta que pessoas como esse narrador de fato existem em nossa sociedade. Logo após o relator da história se apresenta e também às suas ideias, explicando o porquê e a causa de aparecer em nossa sociedade. Nesta pequena introdução, há frases bastante complexas e existencialistas. Ideias reflexivas e que não deixam de ser verdades até nos dias atuais perante aos comportamentos da sociedade, o que me causa bastante impacto, pois a obra foi publicada em 1864. É um tipo de solilóquio, no qual ele tenta se explicar e se auto depreciar diante de seu leitor querendo causar um tipo de pena, dizendo que é uma pessoa má, mas que por algumas vezes pode ser considerado um homem bom. Por fim, ele decide que o melhor é não fazer nada à respeito dessa visão de se tornar um homem respeitável. Uma frase muito interessante e impactante que li e resolvi até marcar é a seguinte: "Foi dito que o homem se vinga porque vê nisso justiça (...), se tento vingar-me é por pura maldade".

O narrador, bastante amargo, isolado e que não possui nome, pois ele não o diz no livro inteiro, é um homem que mantém um ódio pelo mundo e pelas pessoas. Ao mesmo tempo que os despreza procura avidamente pela atenção de seus semelhantes, beirando sempre à humilhação e a auto depreciação, junto de seus delírios e explosões de ódio. 

Na segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", ele relata alguns acontecimentos de sua vida, ao qual é percebido o quanto esse personagem é ruim e desprezível, porém ao mesmo tempo o quanto ele sente gosto por agir de forma totalmente fora de propósito. Há uma reflexão bastante intima do narrador, um perfeito fluxo de consciência em seu grande final. 

O livro, por fim, leva a reflexão diante de várias questões da condição humana e seus sentimentos, como a vingança e a maldade. O homem do subsolo pode ser representado pelo homem moderno, solitário, que busca por sua felicidade, mas acaba indo às ruínas por conta das cobranças de uma sociedade idiota. 

É uma leitura complicada, principalmente para iniciantes, porém faz com que se desperte muitas verdades sobre o ser humano, que se mantém inquietas no íntimo de muitas pessoas.



sábado, 18 de julho de 2015

A Crueldade em Riso no Escuro de Vladimir Nabokov


Não poderíamos deixar de publicar mais uma resenha de um livro desse grande escritor que deu nome ao meu blog: Vladimir Nabokov!

Riso no Escuro é outro romance surpreendente desse maravilhoso escritor. Um dos livros que me achou na biblioteca, escondidinho e que me chamou muito discretamente com seu título espetaculoso.

Essa formidável narrativa foi publicada por volta de 1932 e 1938, pois em 1932 ela era serializada em uma revista; em 1936 foi traduzida por outra pessoa de uma forma que deixou Nabokov descontente e então em 1938 ele publicou sua própria tradução. 

O livro é composto por 201 páginas pela editora Companhia das Letras. Minha leitura foi terminada em apenas dois dias, pois a história tem uma tamanha capacidade de prender o leitor até o fim e um enredo impactante e cruel.

O primeiro capítulo é bastante direto e descreve a narrativa: "Era uma vez um homem que se chamava Albinus e vivia em Berlim. Era rico, respeitável e feliz; certo dia abandonou a mulher por causa de uma jovem amante; amou, não foi amado; e sua vida acabou em desastre". 

A amante em questão é Margot, uma Lolita um pouco mais velha, com seus dezoito anos, bastante sensual e frívola. Ela dominou a vida de Albinus que era casado, tinha uma filha de oito anos e uma boa carreira como crítico de arte. Analisando bem a narrativa, é percebido que ela destruiu o casamento de Albinus propositalmente ao enviar uma carta para a residência dele, e ele não conseguir interceptar o recebimento desta a tempo. Desde o ínicio a intenção de Margot nunca fora das melhores. Ela apenas se interessava pelo dinheiro que ele tinha e por sua ambição em um dia se tornar atriz. E Albinus jamais desconfiou de sua pequena beldade e seu outro amante Rex que no passado já havia vivido um romance com a bela moça. Rex junto de Margot, criam as maiores maldades contra Albinus: são dois personagens  maldosos, impiedosos e egoístas.

O significado do título Riso no Escuro só será revelado a uma certa altura dos fatos o que torna a leitura ainda mais intrigante. É cruel, triste, mas uma realidade vivida por muitas pessoas. 

O livro contém quebras de expectativas que é um ponto forte nas leituras que faço e é muito realista quanto a histórias que envolvem traição, crueldade e o ponto que um homem  chega ao ser tomado pelo desejo; como um homem pode se cegar diante de mulheres que sabem como dominar. Descreve muito bem a mente de uma pessoa envolvida pela cobiça e a libido e como isso pode se tornar uma ingenuidade da parte de quem está cativado por um amor não correspondido.

Recomendo muito a leitura deste livro, tanto pela história quanto pela forma que o autor descreve os fatos, mostrando as fraquezas mais íntimas e obscuras do ser humano.


O Teorema Katherine de John Green




Depois de muito tempo e muita curiosidade, finalmente encontrei na biblioteca de minha cidade um título do escritor John Green que ultimamente vem sendo muito comentado e que publicou alguns títulos que viraram filme, como "A Culpa é das Estrelas". Não assisti nenhum de seus filmes e Teorema Katherine foi o primeiro título de Green que li.

John Michael Green é um escritor norte-americano, nascido no dia 24 de agosto de 1977, na cidade de Indianápolis. Ele é querido pelo mundo todo (principalmente pelos adolescentes) por seus best sellers: Quem é Você, Alaska? e Cidades de Papel.

O Teorema Katherine é um livro envolvendo matemática. Mas não precisa se assustar. Não é nada tão mirabolante, difícil de entender e muito menos entediante.

Colin, o personagem principal desta narrativa é um prodígio desde pequeno e muito bom na criação de anagramas. É do tipo nerd, que vive em na companhia de uma ótima família. Namorou 19 Katherines em toda sua adolescência e absolutamente todas terminaram com ele. Após a sua atual Katherine terminar o relacionamento com Colin e ele passar por um período de sofrimento, seu melhor amigo Hassan o apoia e juntos eles colocam o pé na estrada. Nessa viagem de amigos, Colin tenta esquecer o ocorrido e assim começa com a formação de seu teorema na cidade em que fizeram sua parada e conheceram novas pessoas. Ele cria fórmulas matemáticas para tentar entender o porquê de todas as Katherines terem terminado o namoro com ele e para talvez prever o tempo que um relacionamento poderia vir à durar.

O livro é de fácil leitura, sem muitas complicações e sem quebras de expectativas, mais recomendado para o entretenimento adolescente. O lado bacana da história de John Green é a forma como é apresentado o ponto de vista de quem sofre, a parte mais realista dos desapontamentos de um término de namoro, como por exemplo, quando a pessoa passa o decorrer dos dias olhando o telefone esperando por uma ligação perdida ou apenas uma mensagem. Todos já passamos por esse tipo de tristeza e é interessante essa veracidade que o livro passa aos leitores. Expõe também que nem tudo é perfeito em nossas vidas, mas nem todo sofrimento dura para sempre.

Algumas passagens do livro me fizeram pensar e me remeteram a tempos de minha adolescência, mas deixo claro que não é o tipo de história de que gosto. Porque às vezes na vida cotidiana a qual estamos acostumados, não é sempre que certos acontecimentos terminam de forma boa, como os livros best sellers apresentam. Teorema Katherine oscila entre o real e o sonho de um final feliz. 




O livro foi publicado em 2006, com quase 300 páginas pela editora Íntrinseca.

domingo, 5 de julho de 2015

Percy Jackson e o Último Olimpiano de Rick Riordan



O quinto e último livro da primeira temporada da séria Percy Jackson, de Rick Rordan inicia-se com uma batalha entre Percy, cães infernais e outros seres mitológicos, acompanhada de uma incrível explosão do Princesa Andrômeda, porém ele venceu apenas uma das batalhas.

Os meios-sangues passaram um ano inteiro preparando-se para a batalha contra os titãs, enquanto os deuses ocuparam-se com o monstro Tição que já se aproximava de Manhattan. A batalha pode não apenas destruir os deuses, mas acabar com a civilização, caso os deuses e semi deuses sejam devotados pelo exército de Cronos. E isso obriga Percy a fazer uma visita rápida ao Rio Estige.

Morfeu, o deus dos sonhos, põe para dormir milhões de habitantes em Manhattan e isso dá início a inesquecível batalha entre titãs, deuses e semi deuses. Percy conta com a ajuda dos famosos Ponêis de Festa, entre eles o centauro mais divertido, Larry. Percy ainda tem de lutar com criaturas mitológicas que retornaram do Tártaro depois de milênios, como a porca gigante voadora Camoniana.

Além destas, outras batalhas são travadas e Percy teme a sua própria morte, já que a profecia dizia que seu décimo sexto aniversário significaria a sua morte.

Rick Riordan faz a incrível narração do heroi Percy jackson, um último desfecho da série que já vendeu milhões de cópias e já conquistou uma legião de fãs por todo o mundo.

Um último livro para fãs de mitologia grega que já acompanham a série desde o início. Batalhas incríveis que prendem o leitor até o final da trama.

Os Novos Bruxos de Half Bad de Sally Green.



Half Bad é o primeiro romance da escritora Sally Green que começou a escrever em 2010 e publicou seu primeiro livro em 2014.

A histõria se passa na Inglaterra, aonde os bruxos e humanos vivem perto, porém não se misturam. Há os bruxos da luz - que são os bondosos - e os bruxos das sombras - que são os malvados e devem ser aniquilados.

Nathan, o personagem principal e narrador protagonista, é filho de uma mãe bruxa da luz e de um pai das sombras que ele jamais viu. Nathan é metade luz e metade sombra, tornando-se um tipo de aberração diante de todos e ainda sem ter um caminho traçado. Ao completar 17 anos, através de quem lhe dar os três presentes, ele descobrirá seu dom e seu destino como bruxo. Se tornará um bruxo da luz ou das sombras?

De início uma leitura um pouco confusa, mas no decorrer, vemos como a escrita é bem desenvolvida e fácil de ler. A trama é boa, há algumas quebras de expectativa e é isso que gosto em histórias. São personagens adolescentes, então considero uma história bem voltada para os jovens que gostam de livros com histõrias de magias e guerra entre o bem e o mal. Se bem que nesta trama de Sally Green, ficamos torcendo para o lado das sombras. Os papéis se invertem e o "mau" se torna o "bem" ao nosso ver, como se os bruxos das sombras fossem injustiçados.
A saga de Nathan deve continuar no próximo livro "Half Wild", já que alguns personagens terminam capturados e sumidos.

A edição de Half Bad que li é da editora Íntrinseca e sua capa é muito bonita.

James Joyce e Dublinenses - Ênfase em Os Mortos. (O dia em que James Joyce me deu um soco na cara)





Um grande clássico da literatura mundial, publicado em 1914, Dublinenses de James Joyce é um livro que reúne em seu conteúdo 15 contos.

O livro foi escrito quando James Augustine Aloysius Joyce (1882-1941) tinha 25 anos, logo após outro de seu grande clássico: “O Retrato do Artista Quando Jovem”, que era publicado em jornais antes de se tornar um livro. E que por fim, também terá uma resenha aqui no blog, junto de “Ulisses”.

Os quinze contos acontecem em ruas de Dublin no fim do século XIX e início do século XX. São ordenados em ordem cronológica de forma bastante realista e dura, começando com a perda da inocência na infância, incertezas e angústias da vida jovem e a desilusão dos adultos. Não deixa de transparecer a crítica de Joyce ao mundo irlandês e um insulto a vaidade nacional, já que o escritor tinha uma relação de amor e ódio por Dublin e os Dublinenses.

O conto “Os Mortos” foi que mexeu com minhas estruturas pessoais. Primeiramente, havia lido e não gostado, mas após uma aula de literatura toda enfatizada neste último conto, me dei conta de que não havia gostado simplesmente porque não havia entendido e foram naquelas explicações que senti que fui atingida por um soco na cara pelo autor do conto.

A narrativa se passa em uma festa que duas tias resolvem fazer. Gabriel é um dos convidados mais esperados e mais estimados por suas duas tias. Um rapaz inteligente e culto que era casado com Gretta o acompanhava nesse jantar. Depois de muitas conversas e um giro em torno dos personagens, não chegamos a saber quem é o outro protagonista principal do conto depois de Gabriel e em toda leitura, nos perguntamos qual o propósito da narrativa que faria toda a trama ter algum sentido. Não irei detalhar o conto inteiro, pois espero que você, leitor, sinta a mesma coisa que senti ao ver o quanto Gabriel não passava de um babaca intelectual e veja o processo de humanização dele diante de um fato que se tornou subjetivo diante de tudo que o personagem leu e aprendeu diante da vida. O texto contém três epifanias e uma delas atinge a nós, leitores, quebrando totalmente nossa expectativa diante do conto e nos faz reparar em um personagem que quase não aparece no enredo. Podemos ter um rápido balanço e concretude da vida ao ver o quanto a importância de certas coisas é relativo.

Outros contos de dublinenses que indico são: A Casa de Pensão, Partes Complementares e Um Caso Doloroso.

A edição que li é da L&PM Pocket, 2012.




A Mulher na Era Vitoriana e Jane Eyre de Charlotte Brontë.



Após a maravilhosa leitura de "O Professor", não pude me conter em ler Jane Eyre, um dos clássicos mais estimados da literatura mundial, até transformado em roteiro de filme, da autora Charlotte Brontë.

O livro foi escrito em 1845 e publicado em 1847, inicialmente por um nome masculino: Currer Bell - cada irmã Brontë possuía um pseudônimo masculino - devido a época. Um de seus editores ao descobrir a real identidade de Currer Bell, até fala: "A literatura não pode ser o objetivo da vida de uma mulher: não deve ser". E é através dessa visão da época que temos um romance tão importante.
Esta obra apresenta a história de vida de Jane Eyre, desde sua infância até o casamento, toda inspirada em acontecimentos verídicos que estavam ao redor de Charlotte Brontë, até fatos autobiográficos, todos juntos em uma narrativa só.

Na infância Jane vivia com sua tia e primos, era apenas uma preceptora e não se sentia verdadeiramente feliz na casa que morava. Após ter se mostrado uma criança de forte personalidade e por não aceitar os tratamentos duros que recebia, foi mandada ao orfanato de Lowodd, na qual passou por diversas dificuldades e em que após terminar seus estudos, trabalhou como professora até os 18 anos. Querendo novas perspectivas à sua vida, conseguiu outro emprego como governanta em uma casa na cidade de Thornfield, em que vive uma grande paixão e novas dificuldades com o seu patrão, Sr. Rochester.

Charlotte Brontë ao escrever esta obra nos dá a visão da era vitoriana e o papel da mulher da época. Ao mesmo tempo que Jane nos parece ser submissa (lendo agora em tempos atuais), podemos ver fortes indícios de como era destemida, independente e forte, dona de uma inteligência sagaz, sem perder seu lado feminino. Tinha um ar revolucionário, porém sutil diante de muitas situações. Realmente desafiou os padrões de conduta e gênero estabelecidos na época. Temos um retrato fiel da era vitoriana, mas realmente controverso, pois Jane não tinha quase ninguém para apoiá-la, então sempre lutou e foi atrás de suas escolhas.

Demorei três semanas para terminar a leitura de quase 800 páginas e pensei em abandoná-lo, mas me entreti ao voltar a lê-lo e vi toda sua força e importância ao mundo da época vitoriana. Charlotte, de forma sutil, mexe com a mente feminina e faz vários questionamentos envolvendo o papel da mulher e suas escolhas na sociedade vitoriana, nos fazendo refletir até nos tempos de hoje.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Original de Laura (Morrer é Divertido) - Vladimir Nabokov



Tendo o blog um dos nomes mais grandiosos da literatura mundial, não poderíamos deixar de publicar algo sobre ele, dessa vez não sendo "Lolita", mas uma obra póstuma e inacabada.


Este último livro de Vladimir Nabokov, um dos maiores escritores e autor do grande clássico "Lolita", vêm em seu último livro, deixar para grandes fãs um pequeno escrito inacabado de sua obra chamada: "O Original de Laura - Morrer é Divertido".

Na realidade, esses pequenos rascunhos foram publicados pelo seu filho Dmitri Nabokov, mesmo que seu pai antes de morrer tivesse proibido sua família de publicá-los sem o término da obra.

Nabokov escrevia em forma de fichas e no livro traduzido para o português, vemos de um lado da página os escritos com a letra, erros, rascunhos do próprio Nabokov, e na outra página a tradução ao pé da letra.



A história se trata de uma jovem chamada Laura de 24 anos, delicada, magra demais, uma forma de alter-ego de Lolita. Podemos notar na obra algumas semelhanças da obra "Lolita" na narrativa. Um exemplo disso é uma parte dos manuscritos que ele relata sobre um senhor com o nome quase igual do protagonista de "Lolita", Humbert-Humbert, que tenta se aproximar sensualmente da personagem que no momento tinha 13 anos.

Laura é casada com um grande médico que sofre de uma doença estomacal terrível, chamado Philip Wild. E por fim, podemos concluir que se trata de uma história dentro de uma história.

O livro retrata muito sobre a morte, sobre dor e sobre algumas vontades do próprio autor, quando ele relata em um trecho que gostaria de amputar os próprios pés. Fala muito também sobre a auto destruição, a aniquilação, mas também em como podemos nos reinventar apesar das dores, o que não foi possível com os personagens e nem mesmo com o autor.

Interessante também é ver o último escrito dele com as palavras: eliminar, suprimir, apagar, tachar, cancelar, anular, obliterar, desaparecer.

Talvez morrer não seja tão divertido.

Leitura do Livro "O Professor", de Charlotte Brontë.


Esse livro chegou as minhas mãos quase como mágica. Apesar de já ter conhecimento sobre as irmãs Brontë, me contentei em apenas conhecer o maravilhoso "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë, que por sinal, é um dos meus livros favoritos e que já li duas vezes.

Estava a procura de "Jane Eyre"na biblioteca, mas como estava com pressa, peguei correndo o único título que contava em sua estante, dedicada as irmãs Brontë.

O livro começa um tanto parado, com seu personagem principal William Crimsworth, um rapaz inglês e órfão. Ele trabalhava em um emprego que detestava, na empresa de seu irmão que ele também não sentia apreço algum, na cidade de Yorkshire. Durante essa parte do livro, a leitura não te prende muito, pois o personagem não é como um mocinho de livros "água com açúcar", o qual esperamos sempre. Mas, é ao mesmo tempo por esse motivo que ele vem se tornando interessante ao tempo que a leitura vai sendo feita. É um personagem de temperamento forte, frio e um tanto tímido, podemos dizer. E dessa característica que o protagonista principal tem, diferente do que estamos acostumados, que nos desperta curiosidade com o desenrolar da obra. Então, quando ele se muda para Bélgica para atuar como professor, inicialmente em uma escola de rapazes, e depois em uma escola apenas de meninas, a narrativa começa a se desenrolar.

As mulheres pelo qual o Sr Crismworth se apaixona ao longo da história, não são nenhum pouco convencionais. São mulheres fortes, interessantes e que tem uma postura diferente de uma mulher da época vitoriana. Posso dizer também que a leitura tem um ponto feminista, principalmente na segunda personagem, que se portou de uma forma muito forte e corajosa diante de alguns fatos da dura vida que passava.

A narrativa tem vários desenrolares e faz você pensar diante das atitudes corajosas dos personagens no decorrer de passagens da vida. Marcados por alguns de seus encontros diante de pessoas de má índole, como também o encontro de pessoas boas que podemos constar na amizade que o personagem tem com outro homem, que garante algumas risadas, através de suas conversas pouco amigáveis. Porém é este amigo que o ajuda com uma carta de recomendação para um emprego na Bélgica.

É uma leitura ótima, recomendo bastante para quem ainda não conhece as irmãs Brontë e também para o conhecimento da história da mulher vitoriana e da visão de Charlotte diante de alguns aspectos femininos da época.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dica para Leitores Desorganizados.


Talvez todo rato de internet conheça esse site já, mas descobri através de uma amiga sobre a rede social de leitores Skoob. É interessante para aquelas pessoas que leem muito e querem organizar seus livros favoritos, entre outras opções.

Lá dá para classificar os livros lidos, abandonados, reelidos, desejados e os que você está lendo no momento. Além de ter metas de leitura, o site também proporciona trocas, valores e o número de páginas; o que pode ser muito interessante para os leitores assiduos assim como eu. (Além de ter promoções que você pode participar para ganhar livros das editoras).

Achei bacana o site, pois sempre quis organizar minha lista de livros e no papel não parecia tão simples assim...

Enfim, esse é um post pequeno e rápido, além de ser um dos primeiros e de teste, para ver como fica o andamento desse blog. Dicazinha rápida e indolor. Até a próxima.

domingo, 24 de maio de 2015

Meia Xícara de Assuntos


Este blog foi criado com o intuito de fazer estudos e comentários sobre alguns livros lidos por mim, de variados autores ao redor do mundo e do tempo. Haverá também alguns assuntos sobre a gramática e a linguística, já que sou estudante de letras e completamente apaixonada pelo que estudo. Gostaria de partilhar algumas ideias e opiniões a respeito desse mundo “letreiro” em que estou vivendo. Por fim, escreverei alguns monólogos interiores de variados assuntos porque uma das minhas paixões também é escrever. Aqui deixo um pouquinho do que será a ideia desse novo blog!
Enjoy!